IPCA abaixo do esperado impulsiona apostas em corte da Selic
A inflação medida pelo IPCA veio abaixo das expectativas do mercado, reforçando as apostas de que o Banco Central poderá cortar a Selic já em agosto. O dado derrubou as taxas dos títulos prefixados e IPCA+ negociados no Tesouro Direto, com investidores ajustando suas posições diante da perspectiva de juros mais baixos. No entanto, a alta recente do petróleo no mercado internacional mantém o alerta entre analistas, que temem pressões inflacionárias adicionais.
Taxas do Tesouro Direto recuam com dado de inflação
Com o IPCA fraco, as taxas oferecidas pelos títulos públicos caíram. O Tesouro Prefixado com vencimento em 2029, por exemplo, viu sua rentabilidade recuar de 12,5% para 12,2% ao ano. Já o Tesouro IPCA+ com juros semestrais passou de IPCA+6,0% para IPCA+5,8%. A movimentação indica que o mercado precifica cada vez mais a possibilidade de um ciclo de afrouxamento monetário. "A surpresa baixista do IPCA abre espaço para o Copom iniciar cortes na Selic já na próxima reunião", afirmou o economista-chefe de uma gestora, em nota a clientes.
Petróleo em alta limita otimismo do mercado
Apesar do cenário favorável para a inflação doméstica, a alta do petróleo no mercado internacional preocupa. O barril do Brent superou os US$ 85, impulsionado por cortes de produção da Opep+ e tensões geopolíticas. Como o Brasil é importador de derivados, o aumento do custo da commodity pode pressionar preços de combustíveis e, consequentemente, a inflação. "O petróleo é uma variável de risco que pode adiar o início do corte de juros", alertou o estrategista de um banco de investimentos.
Mercado de ações reage com cautela
Na Bolsa, o Ibovespa opera em leve alta, com investidores avaliando os dois lados da moeda. As ações da Petrobras (PETR4) sobem acompanhando o petróleo, enquanto os papéis de empresas mais sensíveis a juros, como varejistas e construtoras, também avançam com a perspectiva de Selic menor. Analistas do Goldman Sachs destacaram 13 ações preferidas para aproveitar a queda da Bolsa, incluindo nomes como Vale, Itaú e Lojas Renner.
Expectativas para a próxima reunião do Copom
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para os dias 1 e 2 de agosto. A maioria dos analistas projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica de juros para 13,50% ao ano. No entanto, há quem aposte em um corte mais agressivo de 0,50 ponto, caso o cenário inflacionário continue benigno. O mercado monitora de perto as comunicações do Banco Central e os dados de atividade econômica.



