O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, abaixo do esperado pelo mercado, que projetava 0,20%. O dado reforça a aposta em um corte da taxa Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), embora a alta do petróleo mantenha o alerta sobre pressões inflacionárias futuras.
Inflação abaixo do esperado
O resultado de junho representa uma desaceleração em relação a maio, quando o IPCA subiu 0,23%. No acumulado em 12 meses, a inflação ficou em 3,16%, dentro da meta do Banco Central, que é de 3,25% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O índice foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que caíram 0,35% no mês, e pelo recuo nos combustíveis, com destaque para a gasolina (-0,21%).
Impacto na política monetária
Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, o IPCA fraco abre espaço para o Copom iniciar um ciclo de cortes na Selic já em agosto. "A inflação corrente está baixa e as expectativas para os próximos anos estão ancoradas. Isso dá conforto para o Banco Central começar a reduzir os juros", afirmou. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, patamar mantido desde setembro de 2022.
Petróleo como risco
Apesar do cenário favorável, o mercado monitora a alta do petróleo no mercado internacional, que pode pressionar a inflação nos próximos meses. O barril do tipo Brent subiu 8% no último mês, refletindo cortes de produção da Opep+ e tensões geopolíticas. "Se o petróleo continuar subindo, pode contaminar os preços dos combustíveis e dos transportes, o que atrasaria o ciclo de cortes", alerta o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso.
Reação dos mercados
O mercado de juros futuros reagiu positivamente ao dado de inflação. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 caiu de 13,54% para 13,47% ao ano, refletindo maior expectativa de corte da Selic. O Ibovespa também operou em alta, impulsionado pelo alívio nos juros.
Projeções para o IPCA
O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas, mostra que a mediana das projeções para o IPCA em 2023 está em 4,95%, acima do centro da meta de 3,25%. Para 2024, a projeção é de 3,90%. O Copom tem destacado que a desancoragem das expectativas de inflação é um risco para a condução da política monetária.



