A prévia da inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), desacelerou fortemente em julho, com alta de apenas 0,06%, após registrar 0,41% em junho. O dado, divulgado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio abaixo da expectativa de analistas de mercado, que projetavam 0,22%. É o menor resultado para o mês desde julho de 2023, quando o índice caiu 0,07%.
Alívio nos alimentos e pressão da energia
O principal responsável pela desaceleração foi o grupo de alimentos, que registrou queda de 1,14% na alimentação no domicílio. Os destaques de baixa foram tomate (-19,95%), batata-inglesa (-10,03%) e café moído (-3,13%). Por outro lado, a cebola subiu 7,10% e o pão francês, 0,65%.
O índice só não veio ainda menor por conta da energia elétrica, que subiu 3,03%, o maior impacto individual no resultado do mês. Esse movimento é explicado pela vigência da bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, e reajustes tarifários em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
Saúde e transportes em sentidos opostos
O grupo de saúde e cuidados pessoais subiu 0,28%, puxado por produtos de higiene pessoal, como perfume (alta de 1,74%), e planos de saúde (0,42%), após reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já os transportes tiveram alta de 11,70% nas passagens aéreas, mas os combustíveis caíram 0,90% no conjunto, com destaque para etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).
Acumulado e projeções futuras
No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,51%, enquanto em 12 meses fica em 4,52%, abaixo dos 4,80% do mês anterior e mais próximo do teto da meta de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em julho de 2025, o índice havia sido de 0,33%.
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na segunda-feira (27), mostrou a quarta redução consecutiva na projeção para o IPCA de 2026, que agora está em 5,12%. Segundo analistas, o movimento reflete menor pressão do conflito no Oriente Médio e os efeitos da política monetária. A desaceleração da inflação reforça expectativas de manutenção ou corte na taxa Selic nas próximas reuniões do Copom.



