Inflação volta a preocupar 69% dos brasileiros, aponta PoderData
Inflação preocupa 69% dos brasileiros, diz PoderData

A percepção de inflação entre os brasileiros atingiu 69% em julho, segundo pesquisa PoderData divulgada nesta quarta-feira (29). Este índice representa um aumento de 18 pontos percentuais em relação a dezembro de 2025, quando 51% dos entrevistados relataram aumento nos gastos com supermercado e contas.

Percepção de alta se intensifica

O levantamento, realizado entre 18 e 20 de julho, mostra que 69% dos entrevistados afirmam que os gastos com compras de supermercado e pagamento de contas aumentaram nas últimas semanas. Outros 16% disseram que os preços permaneceram estáveis, enquanto 8% afirmaram que houve queda. O restante não soube responder.

Além disso, 63% dos brasileiros acreditam que os preços continuarão subindo nas próximas semanas, ante 45% em dezembro de 2025. Ao mesmo tempo, caiu o número dos que esperam estabilidade: hoje, 19% acreditam que os preços permanecerão no mesmo patamar, enquanto 11% projetam redução do custo de vida.

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Impacto na avaliação econômica

A mudança de expectativa costuma ter peso político porque influencia decisões de consumo e afeta a percepção sobre o desempenho da economia, independentemente dos indicadores oficiais. Os resultados sugerem que o eleitor tem sentido com mais intensidade a inflação no cotidiano, especialmente em despesas recorrentes como alimentação e contas domésticas.

Segundo o PoderData, cresceu 23 pontos percentuais, em seis meses, a parcela dos entrevistados que afirma ter percebido piora na própria condição financeira. Esse avanço acompanha o aumento das preocupações com o custo de vida e reforça a dificuldade do governo em transformar indicadores macroeconômicos favoráveis em sensação de melhora para a população.

Desafio para a reeleição de Lula

A economia permanece como um dos principais ativos — e também um dos principais riscos — para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Historicamente, presidentes buscam disputar eleições em ambientes nos quais a população percebe melhora na renda e redução da pressão inflacionária. Os dados do PoderData mostram que essa percepção segue caminhando na direção oposta quando o tema é inflação.

Ao mesmo tempo, o levantamento revela um quadro menos linear do que parece. Embora a maioria relate aumento dos preços e espere novas altas, a percepção sobre a situação financeira pessoal continua relativamente mais resiliente. Isso indica que parte dos eleitores diferencia a pressão provocada pela inflação da avaliação que faz da própria condição econômica.

Essa dissociação ajuda a explicar por que o debate econômico tende a permanecer no centro da campanha presidencial. O governo precisará convencer o eleitor de que a melhora dos indicadores oficiais será percebida também no orçamento doméstico, enquanto a oposição deve explorar justamente a diferença entre os números da economia e a experiência cotidiana das famílias.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Foram entrevistadas 2.500 pessoas por telefone, entre celulares e linhas fixas, em 147 municípios das 27 unidades da Federação, entre os dias 18 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

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