A inflação brasileira medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,16% em junho, ante 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10). O resultado ficou bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,31% no período, segundo consultorias e instituições financeiras.
Acumulado em 12 meses recua
Com o resultado de junho, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses caiu para 4,64%, contra 4,72% nos 12 meses encerrados em maio. A taxa anualizada segue acima da meta de inflação do Banco Central, que é de 3,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, mas mostra tendência de arrefecimento.
O dado surpreendeu analistas, que esperavam uma inflação mais pressionada por itens como alimentação e transportes. Segundo o IBGE, a desaceleração foi puxada principalmente pela queda nos preços de alimentos e bebidas, que registraram deflação de 0,23% em junho, após alta de 0,62% em maio. O grupo de transportes também contribuiu para o alívio, com variação de 0,06%, bem inferior aos 0,45% do mês anterior.
Impacto na economia e próximos passos
A inflação mais baixa reforça as expectativas de que o Banco Central possa manter a taxa Selic no atual patamar ou até mesmo iniciar um ciclo de cortes nos próximos meses. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem sinalizado cautela diante do cenário internacional e das incertezas fiscais domésticas.
O resultado de junho também alivia a pressão sobre o poder de compra das famílias, especialmente as de menor renda, que destinam maior parcela do orçamento para alimentação. No entanto, especialistas alertam que a inflação de serviços ainda se mantém resiliente, o que pode limitar o espaço para quedas mais acentuadas nos juros.



