O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho, resultado abaixo do esperado pelo mercado, que projetava alta de 0,20% a 0,25%. O dado foi divulgado pelo IBGE e reforça a tendência de desaceleração da inflação no Brasil.
Composição do índice
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em junho. O destaque ficou com o grupo Alimentação e Bebidas, que subiu 0,35%, puxado por itens como leite longa vida (2,87%) e frutas (1,52%). Já o grupo Transportes recuou 0,41%, influenciado pela queda de 2,44% nos preços das passagens aéreas.
O IPCA acumula alta de 2,87% no primeiro semestre de 2026 e de 4,23% nos últimos 12 meses. A meta de inflação para 2026 é de 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Impacto nos mercados
A leitura abaixo do esperado fortalece a aposta em um corte da taxa Selic na próxima reunião do Copom, em agosto. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano. Segundo o economista-chefe da XP, Caio Megale, “o dado de junho é mais um sinal de que a inflação está cedendo, abrindo espaço para o início do ciclo de afrouxamento monetário”.
No mercado de renda fixa, títulos atrelados à inflação, como o IPCA+, tiveram queda nas taxas. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 passou a render 5,84% ao ano, ante 5,97% no dia anterior. Já a Bolsa de Valores opera em alta, com o Ibovespa subindo 1,2% por volta das 11h.
Perspectivas
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostra que o mercado reduziu a projeção de inflação para 2026 de 4,35% para 4,30%. Para 2027, a estimativa caiu de 3,80% para 3,75%. Apesar da melhora, o número ainda supera o centro da meta.
“A inflação está convergindo, mas o Banco Central deve manter cautela. Um corte de 0,25 ponto em agosto é o cenário mais provável”, afirma o analista da XP, Rafael Nobre. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 30 e 31 de julho.



