O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, ficando abaixo do esperado pelo mercado, que projetava 0,20%. O resultado reforça as apostas de um corte da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto, mas a alta recente do petróleo mantém o alerta entre investidores.
Número surpreende e fortalece cenário de afrouxamento monetário
O dado divulgado pelo IBGE veio abaixo do consenso e também menor que a taxa de 0,23% registrada em maio. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA está em 4,23%, dentro do teto da meta de inflação de 4,5%. Para economistas, a desaceleração abre espaço para o Banco Central iniciar um ciclo de cortes na Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
“A inflação mais fraca dá conforto para o Copom começar a reduzir os juros já em agosto”, afirmou o economista-chefe de uma corretora, em nota a clientes. “Mas o cenário externo, com o petróleo em alta, exige cautela.”
Petróleo e núcleos ainda preocupam
O preço do barril de petróleo tipo Brent subiu mais de 5% nas últimas semanas, pressionando os combustíveis e componentes de transporte. Esse movimento pode contaminar os núcleos de inflação nos próximos meses. Apesar do IPCA fraco em junho, os núcleos – que excluem itens voláteis – seguem acima do desejado pelo BC, segundo analistas.
O mercado de juros futuros já precifica uma queda de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, mas a magnitude do corte dependerá dos próximos dados de inflação e da evolução do petróleo.
Impacto em investimentos
Com a perspectiva de juros mais baixos, ativos de renda fixa atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, ganham destaque. Alguns títulos chegam a pagar IPCA + 6% ao ano, combinando proteção inflacionária com prêmio elevado. Especialistas recomendam aproveitar as taxas atuais antes que o ciclo de cortes reduza esses rendimentos.



