Inflação sobe 0,16% em junho e reforça aposta em corte da Selic em agosto
Inflação de junho de 0,16% reforça corte da Selic em agosto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho, resultado abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,20%. O dado reforça a aposta de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic já na reunião de agosto.

Número surpreende e alivia pressão sobre BC

A inflação mais fraca que o esperado dá fôlego para o Comitê de Política Monetária (Copom) considerar uma redução dos juros básicos, atualmente em 13,75% ao ano. Economistas avaliam que a desaceleração dos preços, especialmente em alimentos e serviços, reduz a urgência de manter a taxa em patamar tão elevado.

“O IPCA de junho veio dentro do intervalo esperado, mas ligeiramente abaixo da mediana, o que pode ser interpretado como um sinal de que a inflação está cedendo”, afirmou André Perfeito, economista-chefe da consultoria Necton. “Isso abre espaço para o Copom iniciar um ciclo de cortes já em agosto, mas o BC deve agir com cautela.”

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Petróleo ainda é risco, mas núcleos da inflação cedem

Apesar do alívio no IPCA cheio, o mercado segue atento ao comportamento do petróleo, cuja alta recente pressiona combustíveis e pode contaminar as expectativas de inflação futura. Contudo, os núcleos da inflação — que excluem itens voláteis como alimentos e energia — também apresentaram desaceleração, o que reforça a tese de que a política monetária contracionista está surtindo efeito.

O IPCA acumulado em 12 meses recuou para 4,12%, ainda acima do centro da meta de 3,25%, mas abaixo do teto de 4,75%. Para o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, “o dado de junho confirma que a inflação está em trajetória de queda, mas o BC deve manter a comunicação de que cortes serão graduais e dependentes do cenário fiscal e externo”.

Mercado reage com otimismo moderado

Após a divulgação do IPCA, a curva de juros futuros recuou, sinalizando que os investidores passaram a precificar maior probabilidade de corte da Selic em agosto. O Ibovespa também operou em alta, puxado por ações sensíveis a juros, como varejo e construção civil.

“A inflação mais baixa dá mais segurança para o BC afrouxar a política monetária, mas o Copom não deve se apressar”, ponderou a economista-chefe da Rico Corretora, Rachel de Sá. “Ainda há incertezas no cenário internacional, como a alta do petróleo e a política de juros nos Estados Unidos.”

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