Inflação de junho fica abaixo do esperado e reforça aposta em corte da Selic
Inflação de junho abaixo do esperado reforça corte da Selic

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, resultado abaixo do esperado pelo mercado financeiro. O dado reforça as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode cortar a taxa Selic na reunião de agosto, embora a trajetória do petróleo ainda acenda sinais de alerta.

Inflação surpreende para baixo

A inflação de junho veio inferior à mediana das projeções do mercado, que apontava para um avanço de 0,21%. No acumulado em 12 meses, o IPCA alcançou 4,23%, ainda acima do centro da meta de 3,5%, mas dentro do intervalo de tolerância. O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos e pela estabilidade dos combustíveis.

Segundo analistas, o número mais fraco abre espaço para o Banco Central dar início a um ciclo de flexibilização monetária já no próximo mês. "A surpresa baixista no IPCA de junho aumenta a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto", afirmou a economista-chefe de uma grande corretora, em nota a clientes.

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Petróleo mantém alerta

Apesar do dado favorável, o mercado segue cauteloso com o cenário internacional. O petróleo voltou a subir nas últimas semanas, pressionado por cortes de produção da Opep+ e tensões geopolíticas no Oriente Médio. Uma alta persistente da commodity pode contaminar as expectativas de inflação e limitar o espaço para cortes mais agressivos da Selic.

"O IPCA fraco é um bom sinal, mas não podemos ignorar os riscos externos. O petróleo em alta pode pressionar os combustíveis e, consequentemente, a inflação nos próximos meses", ponderou o estrategista de um banco de investimentos.

Mercado reage com otimismo moderado

Após a divulgação do IPCA, as taxas dos contratos de juros futuros recuaram, e a Bolsa brasileira operou em alta. O Ibovespa acelerou a recuperação e voltou ao patamar dos 175 mil pontos, impulsionado por ações de varejo e consumo, setores mais sensíveis à queda dos juros.

Entre os destaques do dia, a MRV saltou 4% após anunciar a retomada da geração de caixa no segundo trimestre. Já a Multiplan informou a venda de terrenos próximos a três shoppings para projetos multiuso, sinalizando confiança no mercado imobiliário.

Oportunidades na renda fixa

Com a perspectiva de juros ainda altos por mais tempo, a renda fixa continua atraente. Títulos atrelados ao IPCA oferecem prêmios elevados, com taxas reais superiores a 6% ao ano. "A disparada dos juros abriu oportunidades em títulos públicos e privados, mas também exige cautela na escolha dos ativos", alerta um gestor de recursos.

Para quem busca proteção contra a inflação, as NTN-B principais são uma opção. Já os investidores mais arrojados podem explorar debêntures incentivadas e CRIs com spread elevado.

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