O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, resultado abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava avanço de 0,20%. O dado reforça a aposta de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de corte da Selic já na reunião de agosto, embora a trajetória do petróleo mantenha o comitê em estado de alerta.
Número surpreende e abre espaço para afrouxamento monetário
A inflação acumulada em 12 meses recuou para 3,16%, dentro do intervalo da meta perseguida pelo BC, que é de 3,25% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que recuaram 0,53% no mês, e pela desaceleração dos serviços subjacentes. Segundo analistas, o IPCA fraco dá ao Comitê de Política Monetária (Copom) margem para reduzir a taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano, já na próxima reunião.
Petróleo ainda acende alerta no Copom
Apesar do alívio nos preços domésticos, a alta recente do petróleo no mercado internacional preocupa o BC. O barril do tipo Brent subiu mais de 10% nas últimas semanas, impulsionado por cortes de produção da Opep e tensões geopolíticas. Isso pode pressionar os combustíveis no Brasil e, consequentemente, a inflação. Em nota, o economista-chefe de uma grande corretora afirmou: "O IPCA de junho foi uma boa notícia, mas o Copom não pode ignorar os riscos externos. A decisão de agosto será cautelosa."
Mercado reage com otimismo moderado
Após a divulgação do índice, as taxas dos contratos futuros de juros recuaram, e o Ibovespa acelerou a recuperação, voltando aos 175 mil pontos. O mercado de renda fixa também viu oportunidades, com títulos atrelados à inflação oferecendo prêmios elevados, como o IPCA+17% em alguns papéis. No entanto, analistas alertam que a trajetória de queda da Selic pode ser mais lenta do que o esperado se o petróleo continuar subindo.



