O ex-diretor do Federal Reserve (Fed) Kevin Warsh afirmou que a inflação ao consumidor dos Estados Unidos em junho, que veio abaixo do esperado, não significa que a autoridade monetária pode declarar missão cumprida no combate ao aumento de preços. Em entrevista à CNBC nesta quinta-feira, Warsh destacou que ainda há riscos de pressões inflacionárias adicionais, especialmente no setor de serviços.
Dados de inflação de junho
O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA subiu 3,0% em junho na comparação anual, ante expectativa de 3,1% e contra 3,3% em maio. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou 3,3% ano a ano, também abaixo da previsão de 3,4%. Os números reforçaram a aposta do mercado de que o Fed pode iniciar cortes de juros em setembro.
Riscos persistentes
Warsh, que atuou no Fed entre 2006 e 2011, alertou que o núcleo da inflação de serviços, excluindo habitação, ainda está elevado, em torno de 4,5% anualizados nos últimos três meses. “O Fed não pode se dar ao luxo de ignorar esses sinais. A missão não está cumprida”, disse. Ele também mencionou que a desaceleração do mercado de trabalho e a queda na confiança do consumidor podem complicar o cenário.
Implicações para a política monetária
O comentário de Warsh contrasta com a visão mais otimista de alguns membros do Fed. A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, disse na quarta-feira que os dados de inflação são “boas notícias” e que o banco central está mais perto de cortar juros. No entanto, Warsh defende que o Fed deve manter a cautela: “Uma leitura abaixo do esperado não é suficiente para garantir que a inflação está sob controle. Precisamos ver uma tendência consistente.”
Impacto nos mercados
Os mercados financeiros reagiram positivamente aos dados de inflação, com o S&P 500 atingindo nova máxima histórica. A probabilidade implícita de um corte de 0,25 ponto percentual em setembro subiu para 85%, segundo o CME FedWatch. Mas Warsh adverte que um afrouxamento prematuro poderia reacender a inflação. “O Fed precisa de mais evidências de que a inflação está convergindo para a meta de 2% de forma sustentável”, concluiu.



