A recente disparada do petróleo, com o barril do Brent ultrapassando US$ 95, não deve alterar a inflação de julho, que deve registrar 0,17%, de acordo com André Braz, do FGV Ibre. No entanto, se a alta persistir, as perspectivas para os próximos meses podem mudar, afetando os índices de preços e a trajetória dos juros.
Impacto imediato limitado em julho
Segundo Braz, o efeito da alta do petróleo sobre a inflação de julho é praticamente nulo, pois os preços dos combustíveis já estavam sendo monitorados e a elevação ocorreu tardiamente no mês. O índice IPCA-15 de julho, que já capturou parte do movimento, não deve ser significativamente alterado. A projeção de 0,17% para o IPCA cheio de julho permanece.
Cenário de persistência preocupa
O economista alerta que, caso o petróleo se mantenha em patamares elevados, o impacto inflacionário se tornará mais evidente a partir de agosto. “Se o barril continuar acima de US$ 95, veremos repasses para os combustíveis e, posteriormente, para outros segmentos como alimentos e serviços”, explica. Isso poderia reduzir a chance de alívio na política monetária, com o Banco Central mantendo ou até elevando a Selic.
Braz destaca que o efeito depende da cotação internacional e da taxa de câmbio. Em um cenário extremo, com petróleo a US$ 100 e câmbio depreciado, o impacto inflacionário poderia ser significativo. “O primeiro segmento afetado é o de combustíveis, mas o efeito se desdobra por vários setores”, completa.
Perspectivas para os juros
A persistência da alta do petróleo pode reduzir a probabilidade de cortes na Selic, que atualmente está em 13,75%. O mercado já precifica uma possível manutenção da taxa nas próximas reuniões do Copom. “Se a inflação futura mostrar pressão, o BC pode adiar qualquer alívio”, afirma Braz.
Em resumo, a disparada do petróleo não altera a inflação de julho, mas acende um sinal de alerta para os próximos meses, podendo impactar a trajetória dos preços e a política monetária.



