Desemprego cai a 5,4% e trava queda da Selic, apontam analistas
Desemprego cai a 5,4% e trava queda da Selic

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% em junho, o menor nível desde 2014, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 5,6%, e reforça a resiliência do mercado de trabalho mesmo com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano.

Impacto sobre a política monetária

O recuo do desemprego tem sido apontado por economistas como um fator que amortece o efeito contracionista dos juros altos sobre a atividade econômica. “Com mais pessoas empregadas e renda em alta, o consumo se mantém aquecido, o que pressiona a inflação e dá ao Banco Central menos espaço para cortar a Selic”, afirmou o economista-chefe de uma gestora, sob condição de anonimato.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica foi mantida em 13,75%, interrompendo um ciclo de cortes. A decisão foi influenciada por indicadores de atividade robustos, como o emprego e a produção industrial.

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Detalhes da pesquisa

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou que a população ocupada somou 100,2 milhões de pessoas, alta de 1,2% no trimestre. A renda média real cresceu 1,5%, para R$ 2.112. O número de desalentados — aqueles que desistiram de procurar trabalho — caiu 4,3%, para 4,8 milhões.

Perspectivas para a Selic

Analistas avaliam que o mercado de trabalho aquecido dificulta a convergência da inflação para a meta. “O desemprego baixo gera pressão salarial, que pode ser repassada aos preços. Enquanto isso, o Banco Central deve manter a Selic elevada por mais tempo”, comentou um estrategista de renda fixa.

A expectativa do mercado, captada pelo Boletim Focus, é de que a Selic encerre 2026 em 12,50% ao ano, ante os 12,75% projetados anteriormente. No entanto, a surpresa positiva no emprego pode levar a revisões para cima.

Efeitos no consumo e crédito

A taxa de desemprego mais baixa também estimula a tomada de crédito, mas os juros altos ainda limitam a expansão. Segundo dados do Banco Central, o saldo das operações de crédito cresceu 5,8% nos últimos 12 meses, impulsionado pelo crédito pessoal e consignado.

O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho, celebrou os números. Em nota, a pasta destacou que as políticas de geração de emprego e renda têm surtido efeito, mas ponderou que o cenário ainda exige cautela.

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