BC adia controle da inflação e convence pouco, dizem economistas
BC adia controle da inflação e convence pouco, dizem economistas

O Banco Central do Brasil (BC) enfrenta crescente ceticismo do mercado financeiro após divulgar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual justificou a decisão de adiar o controle da inflação. Economistas avaliam que a explicação foi confusa e pouco convincente, gerando dúvidas sobre a trajetória futura dos juros.

Justificativa considerada insuficiente

Na ata, o BC argumentou que a inflação corrente está acima da meta, mas que fatores temporários justificariam uma pausa no aperto monetário. No entanto, analistas apontam que a comunicação não foi clara sobre os riscos fiscais e as expectativas de inflação desancoradas. “O BC tentou justificar o injustificável”, afirmou um economista-chefe de um grande banco, sob condição de anonimato. “A ata pareceu mais um exercício de retórica do que uma análise consistente.”

Mercado reage com desconfiança

A reação do mercado foi imediata: o Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar 8,5% ao ano, refletindo o aumento da aversão ao risco. O índice Ibovespa, por sua vez, registrou quedas, com investidores buscando proteção em ativos de renda fixa. “O mercado esperava um tom mais duro do BC, mas a ata trouxe mais dúvidas do que certezas”, comentou um gestor de fundos.

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Impacto nas expectativas

A pesquisa Focus, que coleta projeções do mercado, já mostrava um aumento nas expectativas de inflação para os próximos anos. Com a ata do Copom, economistas revisaram suas projeções para a Selic, que deve permanecer elevada por mais tempo. “O BC perdeu uma oportunidade de ancorar as expectativas. Agora, o custo para controlar a inflação será maior”, disse um analista.

Comparação com outras economias

Enquanto o Brasil hesita, outros bancos centrais, como o Federal Reserve dos EUA e o Banco Central Europeu, mantêm uma postura mais agressiva no combate à inflação. Isso tem levado a uma fuga de capitais de mercados emergentes, pressionando ainda mais o real e os ativos brasileiros. “O BC precisa agir com mais transparência e consistência para recuperar a credibilidade”, concluiu o economista.

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