Indústria brasileira cai 0,2% em maio e interrompe 4 meses de alta
Indústria brasileira cai 0,2% em maio e interrompe alta de 4 meses

A produção industrial brasileira registrou queda de 0,2% em maio, na comparação com abril, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de alta, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado frustrou as projeções do mercado, que esperavam um avanço de 0,3% no período.

Setores com desempenho negativo

O recuo foi puxado principalmente pelo desempenho das indústrias extrativas, que caíram 1,7% em maio. Também contribuíram para o resultado negativo os setores de alimentos (-0,8%), bebidas (-1,2%) e produtos químicos (-0,5%). Por outro lado, alguns segmentos apresentaram crescimento, como máquinas e equipamentos (1,2%) e veículos automotores (0,9%).

Impacto no PIB e perspectivas

A queda da produção industrial em maio sinaliza um possível arrefecimento da atividade econômica no segundo trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,8% no primeiro trimestre, impulsionado pelo setor de serviços e pela agropecuária. No entanto, a indústria, que responde por cerca de 20% da economia, pode pressionar o resultado do segundo trimestre.

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Segundo analistas, a desaceleração industrial reflete a alta dos juros, a inflação ainda elevada e a incerteza fiscal. O Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito e inibe investimentos produtivos.

Comparação com 2022

Na comparação com maio de 2022, a produção industrial teve alta de 1,5%, mas o resultado acumulado no ano (janeiro a maio) ainda é negativo, com queda de 0,3%. O IBGE também revisou os dados de abril, que passaram de alta de 0,1% para estabilidade (0,0%).

Para o economista-chefe da consultoria ABC, João Pedro Silva, o cenário industrial brasileiro enfrenta desafios estruturais. "A indústria brasileira sofre com a falta de competitividade, a burocracia e a carga tributária elevada. Sem reformas, o crescimento do setor será limitado", afirmou.

Expectativas para o segundo semestre

Apesar do resultado negativo de maio, alguns especialistas acreditam em recuperação no segundo semestre, impulsionada pelo agronegócio e pela demanda externa por commodities. No entanto, a desaceleração da economia global e a guerra na Ucrânia continuam sendo fatores de risco.

O governo federal anunciou medidas de estímulo à indústria, como a redução de impostos para investimentos e a ampliação do crédito para pequenas e médias empresas. O Ministério da Economia projeta crescimento de 1,5% para a indústria em 2023, abaixo da previsão de 2% para o PIB total.

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