Embrapii: modelo de inovação que conecta ciência e indústria no Brasil
Embrapii: modelo de inovação que conecta ciência e indústria

O Brasil aprendeu, ao longo de sua história recente, que a inovação não é um elemento acessório, mas uma condição definitiva para a competitividade. Pressionados por desafios tecnológicos e ambientais, os países que não transformam conhecimento em produtividade e valor acabam ficando para trás. Foi nesse contexto que surgiu, em 2013, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), uma instituição privada, sem fins lucrativos, que opera com recursos públicos, sendo tecnicamente uma Organização Social. Mais do que um simples instrumento de fomento, a Embrapii representa um modelo que corrige uma distorção histórica: a desconexão entre a excelência científica instalada no país e as demandas reais da indústria brasileira.

Uma década de resultados expressivos

Ao longo de pouco mais de uma década, a instituição consolidou uma fórmula singular e poderosa. Em vez de operar com editais, burocracia e prazos incompatíveis com o ritmo do mercado, ela conecta diretamente empresas a centros de pesquisa, utilizando uma rede espalhada por todo o país, que atualmente abriga cerca de uma centena de unidades e 22 mil colaboradores. Tudo isso com compartilhamento de riscos por meio de recursos não reembolsáveis, acelerando o desenvolvimento tecnológico. A demanda é tratada com agilidade, flexibilidade e foco em resultados, características ainda raras no ambiente brasileiro. Esse modelo permite que as empresas inovem com mais segurança e rapidez, e que o conhecimento gerado nas instituições de pesquisa chegue efetivamente ao mercado.

Quando a Embrapii foi criada, os então ministros Aloizio Mercadante e Marco Antonio Raupp, juntamente com o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, optaram por não criar dezenas de novas unidades de pesquisa e desenvolvimento (como ocorreu com a Embrapa). Em vez disso, preferiram transformar grupos de pesquisa já existentes em unidades Embrapii, selecionados segundo critérios rigorosos de eficiência, qualidade e experiência.

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Até o momento, são mais de 4 mil projetos contratados, cerca de 2,8 mil empresas atendidas e R$ 8,5 bilhões mobilizados em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Exemplos de projetos incluem: uma nova forma de produzir combustível sustentável para aviões, que pode ser usado sem necessidade de modificar motores ou infraestrutura; o uso de tecnologias quânticas para solucionar desafios em telecomunicações e segurança digital; e a utilização do agave como fonte de biomassa para a produção de biocombustíveis, criando uma nova cadeia agroindustrial adaptada ao semiárido brasileiro, com alta tolerância ao clima seco e potencial produtivo comparável ao da cana-de-açúcar.

Crescimento consistente e eficiência

Mais do que o volume ou a diversidade dos projetos, chama a atenção a velocidade e a consistência do crescimento, com taxas superiores a 30% ao ano em diferentes indicadores. A empresa deixou de ser apenas uma experiência promissora para se tornar um dos principais instrumentos de transformação tecnológica da indústria brasileira. Como indicação de sua eficácia, a Embrapii utiliza menos de 5% de seu orçamento em atividades-meio; 95% dos recursos são efetivamente aplicados em projetos encomendados pela indústria.

Desafios e perspectivas futuras

Inovação não se constrói em ciclos curtos. A experiência internacional mostra que países que conseguiram avançar de forma consistente na industrialização baseada em inovação precisam de estabilidade institucional, continuidade de financiamento, previsibilidade e visão de longo prazo. A Embrapii foi concebida com essa lógica. O crescimento observado nos últimos anos reforça essa percepção e indica que há espaço para avançar ainda mais. No entanto, isso exige um passo adicional: consolidar a instituição como um instrumento permanente de política industrial e tecnológica a serviço do Brasil, garantindo estabilidade orçamentária, ampliando e diversificando fontes de financiamento, e fortalecendo parcerias com ministérios, bancos de desenvolvimento e organismos internacionais.

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Ao mesmo tempo, será fundamental expandir competências em áreas estratégicas emergentes. Inteligência artificial, tecnologias quânticas, fontes alternativas de energia, terapias avançadas e conectividade de nova geração são campos que definirão a competitividade industrial nas próximas décadas.

Um momento decisivo para o Brasil

O Brasil vive um momento decisivo. Transformar todo esse potencial em concretude exige coordenação, que a Embrapii e congêneres, com apoio dos ministérios da Ciência e Tecnologia; da Saúde; da Educação; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; do BNDES; e do Sebrae, têm desempenhado, e que cabe fortalecimento crescente.

A inovação já é o motor da nova industrialização. Esse movimento será determinante para o crescimento sustentável, a geração de empregos qualificados e a inserção competitiva do Brasil no mundo. Ao tornar o modelo mais robusto, com escala e previsibilidade de orçamento, o país dará condições de ampliar o investimento privado em inovação, garantindo produtividade e competitividade à nossa indústria. É uma decisão que não se pode adiar e, mais do que isso, uma escolha sobre o tipo de país que o Brasil pretende ser nas próximas décadas.