Após o sucesso de um projeto-piloto no Rio de Janeiro, o governo federal lançará um edital nacional para fortalecer as chamadas 'novas pequenas Áfricas' em todo o Brasil. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Igualdade Racial, visa apoiar territórios negros que preservam e reinventam a herança cultural africana.
Expansão do projeto
O projeto original, implementado na região da Pequena África, no Rio, serviu como modelo para a expansão nacional. O edital, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2026, destinará recursos para iniciativas de economia criativa, turismo de base comunitária e preservação do patrimônio material e imaterial afro-brasileiro.
Critérios de seleção
Serão selecionados projetos em cidades com forte presença de comunidades quilombolas, terreiros de candomblé e umbanda, e manifestações culturais como jongo, capoeira e samba de roda. O edital priorizará regiões com menor índice de desenvolvimento humano e maior vulnerabilidade social.
De acordo com a ministra da Igualdade Racial, a ideia é que cada comunidade possa contar sua própria história, a partir de sua conexão com a diáspora africana. 'Queremos que esses territórios sejam vistos como polos de desenvolvimento, e não apenas como áreas de resistência', afirmou.
Impacto esperado
O investimento previsto é de R$ 50 milhões, com recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos e parcerias com bancos públicos. Cada projeto selecionado poderá receber até R$ 500 mil, com contrapartida das prefeituras locais.
Entre os resultados esperados estão a geração de emprego e renda, o fortalecimento do turismo étnico-afetivo e a ampliação do acesso a políticas públicas para comunidades tradicionais. O edital também prevê capacitação em gestão cultural e financeira para os líderes comunitários.
Próximos passos
As inscrições serão abertas em agosto de 2026, com divulgação dos selecionados em dezembro. O governo pretende criar um mapa nacional das 'pequenas Áfricas', com rotas turísticas e culturais integradas.
A iniciativa é vista como um marco na reparação histórica e no reconhecimento da contribuição africana para a formação da sociedade brasileira. 'Não se trata apenas de preservar o passado, mas de construir um futuro com mais igualdade e orgulho de nossas raízes', concluiu a ministra.



