Um levantamento da Real Price Labs, obtido com exclusividade pelo InfoMoney, revela que a valorização dos imóveis nos arredores das estações Freguesia do Ó e João Paulo I, da futura Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, ficou abaixo da registrada em bairros mais consolidados do corredor, como Perdizes, Pompeia e Água Branca. Isso sinaliza um potencial de alta nos próximos anos para essas regiões da chamada “zona noroeste” da cidade, no encontro da Zona Oeste com a Zona Norte.
Valorização comparada entre estações
Entre os períodos de 2019-2021 e 2024-2026, o preço médio do metro quadrado transacionado subiu 19% na região da estação Freguesia do Ó e 16% nos arredores da estação João Paulo I. No mesmo intervalo, Perdizes avançou 31%, Sesc Pompeia 28% e Água Branca 25%. Segundo André Araújo, CEO da Real Price, a diferença está relacionada ao estágio de maturação de cada mercado. “A questão é tempo. Se você olhar os números, elas têm uma diferença de percentual ainda e cabe uma majoração”, afirmou ao InfoMoney.
Potencial de valorização futura
Na avaliação do executivo, o desempenho inferior dessas regiões não indica falta de demanda, mas sim que parte do potencial de valorização ainda não foi incorporado aos preços. Para Araújo, existe uma mudança perceptível quando o corredor cruza o rio Tietê em direção à zona norte. Enquanto Perdizes, Pompeia e Água Branca são bairros já consolidados, com forte demanda e ampla presença de incorporadoras, a realidade muda nas regiões mais ao norte. “Da Freguesia para cima, todas elas ainda têm uma chance de ter uma valorização em curto espaço de tempo”, disse.
Freguesia do Ó atrai incorporadoras
Embora ainda esteja distante dos preços praticados em bairros da zona oeste, a Freguesia do Ó já aparece como um dos mercados mais movimentados da nova linha, mas com uma relação de custo-benefício mais favorável para famílias que buscam moradia própria. Nos últimos anos, a região passou a receber uma quantidade crescente de lançamentos imobiliários. Um levantamento do Secovi-SP divulgado recentemente mostra que, entre janeiro de 2016 e abril de 2026, foram lançadas 82.377 unidades residenciais verticais em um raio de até um quilômetro da Linha 6-Laranja. A Freguesia do Ó respondeu por 8.840 unidades, tornando-se o quarto distrito com maior volume de lançamentos ao longo de todo o corredor, atrás apenas de Cambuci (13.599), Lapa (11.037) e Perdizes (9.867).
“Com a operação assistida já iniciada nas estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, SESC-Pompeia e Perdizes, a tendência é que a integração entre mobilidade e desenvolvimento urbano continue impulsionando investimentos e atraindo novos moradores para o entorno da linha”, disse o Secovi-SP.
Preços atuais e anúncios
Nos arredores da estação Freguesia do Ó, o valor médio transacionado passou de R$ 2.992 para R$ 3.570 por metro quadrado entre os dois períodos analisados. Nos anúncios, o preço chegou a cerca de R$ 6.400 por metro quadrado. Já na região da estação João Paulo I, o preço do metro quadrado transacionado de apartamentos até 1 km foi de R$ 3.057 para R$ 3.557, enquanto o valor dos anúncios subiu de R$ 5.100 para R$ 6.400. O estudo ainda não traz dados sobre a região da estação Brasilândia.
João Paulo I e Brasilândia: aposta de longo prazo
Se existe uma aposta de longo prazo dentro da Linha 6, ela está nas regiões atendidas pela estação João Paulo I e pelo trecho da Brasilândia, que ficam em regiões onde a chegada da linha representa o maior ganho de acessibilidade – a Linha 6 é a primeira conexão metroviária da região, historicamente dependente do transporte por ônibus. A estimativa é que o deslocamento entre Brasilândia e o centro da capital seja reduzido de cerca de uma hora e meia para aproximadamente 23 minutos, viabilizando uma aceleração na transformação urbana ao longo do eixo.



