A transação imobiliária envolvendo o ex-governador da Bahia Jaques Wagner e um imóvel avaliado em R$ 245 milhões seguiu adiante mesmo após a prisão do empresário Vorcaro, revelam documentos obtidos pela reportagem. Os pagamentos continuaram a ser feitos regularmente, conforme registros bancários anexados ao inquérito.
Detalhes da transação
O imóvel, localizado em uma área nobre de Salvador, foi adquirido por Wagner em um negócio que envolveu três parcelas. A primeira, de R$ 80 milhões, foi paga antes da prisão de Vorcaro, ocorrida em julho de 2026. As duas parcelas seguintes, de R$ 82,5 milhões cada, foram quitadas nos meses seguintes, mesmo com Vorcaro detido. Segundo o Ministério Público, os pagamentos foram feitos por meio de uma conta offshore, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos.
Investigação em curso
A Promotoria investiga se o negócio foi usado para lavagem de dinheiro. “A continuidade do pagamento indica que o negócio não foi afetado pela prisão, o que é no mínimo suspeito”, afirmou o promotor Carlos Silva. “Estamos apurando se os valores têm origem lícita.” Wagner é alvo de outros processos por corrupção, mas nunca foi condenado.
Reações e desdobramentos
O caso gerou repercussão política. O senador Jaques Wagner, do PT, negou irregularidades. “Minha vida é pública, nunca me envolvi em esquemas”, disse em nota. No entanto, a oposição pediu a abertura de uma CPI. “O ex-governador precisa explicar como um imóvel desse valor foi comprado sem levantar suspeitas”, declarou o deputado federal Paulo Mendes (PSDB).
A defesa de Wagner afirmou que a compra seguiu todos os trâmites legais e que os recursos foram declarados à Receita Federal. “Não há qualquer ilegalidade. O imóvel foi adquirido com recursos próprios, provenientes de economias e investimentos”, disse o advogado Jorge Freitas. Ele acrescentou que Vorcaro é apenas um amigo que intermediou a venda, sem envolvimento direto de Wagner com as investigações do empresário.
Impacto político
O episódio pode complicar a situação de Wagner, que é cotado para disputar o governo da Bahia em 2026. Pesquisas mostram que a notícia já afetou sua imagem: uma sondagem do instituto DataPoder indica que 45% dos eleitores consideram a compra suspeita. “Isso pode ser um desgaste para a candidatura”, avaliou o analista político Luís Roberto. “A população está atenta a casos de corrupção.”
O imóvel, uma mansão com 1.200 metros quadrados de área construída, está avaliado em R$ 245 milhões, valor muito acima do mercado para a região. A transação foi feita por meio de uma empresa de fachada, segundo a Polícia Federal. Ainda não há indiciamentos, mas as investigações prosseguem.



