O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que, se seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, for considerado culpado nas investigações em andamento, ele terá que arcar com as consequências como qualquer cidadão. A declaração ocorreu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda, na qual Lula também relembrou as acusações que o levaram à prisão na Operação Lava-Jato e a morte de sua esposa, Marisa Letícia, em 2017.
Declarações de Lula sobre o filho
— Se ele tiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer a coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é um pai, com cinco filhos, ver na televisão chamar a família de ladrão o tempo inteiro. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava-Jato. Ele sabe. Então ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Ele jura para mim todo dia e eu acredito nele – disse Lula.
O presidente acrescentou que Lulinha está atualmente na Espanha, mas que retornará ao Brasil se for necessário enfrentar um julgamento. — Se for julgado, virá para cá. Não vai ficar escondido não. Não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai vir para cá. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei. Vai ter que provar. E se for culpado vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra.
Lula afirmou ainda que, desde 2006, seu filho é usado como instrumento para atacá-lo politicamente. — Esse meu filho, desde 2006, ele vem sendo utilizado. Quem quer me atacar começa atacando ele. (Dizem que ele é) dono de todos os gados da JBS, ele tinha carro de ouro.
Investigação autorizada pelo STF
Mais cedo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de uma investigação para apurar suspeitas de que Lulinha tenha cometido tráfico de influência e corrupção, atendendo a um pedido da Polícia Federal (PF). A decisão foi tomada após a PF identificar possíveis ilícitos na conduta de Fábio Luís relacionados à comercialização de cannabis medicinal, com supostas conexões com servidores do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial.
Lulinha já era investigado em um dos inquéritos que busca esclarecer fraudes nos descontos de aposentados do INSS. No entanto, a PF abriu um novo front ao associar suas atividades no ramo da cannabis medicinal a possíveis atos de corrupção e tráfico de influência. De acordo com fontes próximas ao STF, algumas das decisões da PF ao avançar no caso foram criticadas internamente.
Contexto das acusações políticas
O presidente Lula afirmou que seu filho não terá privilégios durante as investigações. — Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pediria para um delegado, para um juiz, não fazer as coisas corretas.
A declaração de Lula ocorre em meio a um cenário de intensa polarização política, no qual a oposição tem utilizado o caso para criticar o governo. O episódio também resgata memórias da Lava-Jato, operação que resultou na prisão de Lula por 580 dias e que, segundo o presidente, contribuiu para o falecimento de sua esposa. Lula sempre negou as acusações e teve suas condenações anuladas pelo STF em 2021.
Impactos e próximos passos
A investigação autorizada por Mendonça deverá aprofundar as apurações sobre a atuação de Lulinha no mercado de cannabis medicinal, setor que tem crescido no Brasil após autorizações da Anvisa para importação e cultivo. A PF investiga se houve uso de influência política para obter vantagens indevidas. O caso também levanta questionamentos sobre possíveis irregularidades no Ministério da Saúde e na estrutura do governo federal.
Lulinha, por sua vez, nega todas as acusações. Seu advogado afirmou que ele está à disposição da Justiça e que comprovará sua inocência. O desenrolar do caso deve ser acompanhado de perto, especialmente por envolver o filho do presidente da República e ter potencial para gerar novos capítulos na já conturbada relação entre os poderes Executivo e Judiciário.



