O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo segue aquecido e atinge novos patamares históricos. Segundo levantamento da consultoria Binswanger Brazil, o preço médio pedido para locação alcançou R$ 138,20 por metro quadrado, o maior valor já registrado pela empresa. Ao mesmo tempo, a taxa de vacância recuou para 12,1%, também um recorde de baixa.
Demanda firme e oferta limitada impulsionam valorização
De acordo com a consultoria, o avanço dos preços ocorre em meio ao fortalecimento da demanda por lajes corporativas. A ampliação do trabalho presencial e a retomada de planos de expansão por empresas que buscam novos espaços para suas operações são os principais fatores por trás desse movimento. “O cenário é de oferta futura limitada e comprometida de escritórios dos padrões A e A+”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil.
A consultoria destaca que, além da demanda aquecida, a escassez de novos empreendimentos de alto padrão contribui para sustentar a valorização dos imóveis corporativos na capital paulista. Esse desequilíbrio entre oferta e procura deve continuar pressionando os preços para cima nos próximos trimestres.
Itaim/JK lidera preços entre as regiões
Entre as regiões analisadas, o bairro Itaim/JK apresenta o maior preço médio pedido para locação, de R$ 311 por metro quadrado. Na sequência aparecem a Avenida Faria Lima, com média de R$ 302 por metro quadrado, e os Jardins, com R$ 229 por metro quadrado. Considerando as grandes regiões da cidade, a Zona Centralizada registrou preço médio de R$ 225,60 por metro quadrado, o maior nível desde 2015. Já na Zona Descentralizada, a média ficou em R$ 88,61 por metro quadrado.
Os dados reforçam a concentração da demanda nas regiões mais consolidadas do mercado corporativo, onde a disponibilidade de escritórios permanece restrita. A discrepância entre as zonas centralizada e descentralizada evidencia a preferência das empresas por localizações premium, mesmo com custos mais elevados.
Absorção líquida supera novo estoque e reduz vacância
No segundo trimestre, a absorção líquida – indicador que mede a diferença entre áreas locadas e devolvidas – alcançou 86 mil metros quadrados, superando o volume de 64 mil metros quadrados de novo estoque entregue ao mercado. Esse desempenho permitiu que a taxa de vacância consolidada caísse para 12,1%, a menor da série histórica da Binswanger.
Nas áreas mais valorizadas da cidade, a disponibilidade é ainda menor. A Zona Centralizada encerrou o período com vacância de 8,3%, enquanto a Zona Descentralizada registrou índice de 16,6%. Essa diferença reflete a maior atratividade das regiões centrais para negócios, onde a demanda supera a oferta disponível.
Perspectivas para o mercado corporativo paulistano
Com a tendência de retorno ao trabalho presencial e a limitação de novos lançamentos de alto padrão, a expectativa é de que os preços de locação continuem em trajetória de alta. A consultoria Binswanger Brazil projeta que a vacância permaneça em níveis reduzidos, especialmente nas regiões mais disputadas. Empresas que buscam espaços de qualidade precisam agir rapidamente para garantir contratos antes que a oferta se torne ainda mais escassa.
O cenário também abre oportunidades para investidores e fundos imobiliários que atuam no segmento de lajes corporativas, uma vez que a valorização dos ativos tende a se manter. No entanto, a concentração da demanda em áreas específicas pode acentuar as desigualdades regionais dentro da cidade.



