O petróleo foi o ativo de melhor desempenho entre os principais acompanhados pelo investidor brasileiro no primeiro semestre de 2026. Mesmo com o recuo das últimas semanas, provocado pelo avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o WTI ainda acumula alta de 21,84% no ano, enquanto o Brent avança 20,62%. O alívio recente não foi suficiente para apagar o forte ganho construído ao longo do semestre.
Conflito no Oriente Médio impulsiona preços
A escalada do conflito no Oriente Médio, que culminou no fechamento parcial do Estreito de Ormuz, empurrou os preços da commodity para perto de US$ 100 o barril em boa parte do semestre. O estreito é responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
O movimento também beneficiou a Petrobras (PETR3;PETR4). Mesmo com a queda mais recente, acompanhando o recuo do petróleo à medida que o conflito dá sinais de arrefecimento, a PETR4 acumula alta de cerca de 23% no ano.
Perspectivas de normalização e riscos
Segundo o Goldman Sachs, o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico como um todo já havia retomado cerca de 79% dos níveis normais até o fim de junho, mas um ataque recente a um petroleiro em Ormuz coloca em xeque a expectativa de normalização já no início de julho.
O JPMorgan projeta o Brent médio em US$ 78 ao fim do ano. Segundo o banco, o equilíbrio do mercado veio menos por queda de estoques comerciais e mais por destruição de demanda, sobretudo na China, que pode ter importado bem menos petróleo do que se estimava.
Retornos percentuais no primeiro semestre de 2026
- Petróleo WTI (*): 21,84%
- Petróleo Brent (*): 20,62%
- Nasdaq (*): 12,79%
- S&P 500 (*): 9,55%
- Dow Jones (*): 8,85%
- IDIV: 6,99%
- CDI: 6,79%
- Ibovespa: 6,76%
- Ima Geral: 5,83%
- Poupança: 4,07%
- Bdrx: 3,54%
- Ihfa: 2,84%
- IFIX: 1,46%
- Small Cap: -4,58%
- Dólar Ptax: -5,92%
- Ouro (*): -8,31%
- Euro Ptax: -8,63%
- Bitcoin: -35,10%
*Em dólar. Fonte: Elos Ayta
Dividendos seguem bolsas americanas
Seguindo o petróleo e as bolsas americanas está o índice de dividendos da bolsa brasileira. O IDIV encerrou os seis primeiros meses do ano com valorização de 6,99%, praticamente empatado com o CDI, que acumulou 6,79%, enquanto o Ibovespa registrou ganho de 6,76%. Também apresentaram desempenho positivo o IMA Geral (5,71%), a poupança (4,07%), o BDRX (3,54%) e o IHFA (2,84%).
Real mais forte
O real se mostrou a principal âncora dos ativos locais na primeira metade do ano. O dólar caiu 5,92% no semestre, apesar de ter revertido parte do movimento em junho com o tom mais duro do Federal Reserve. O ouro recuou 8,31%, pressionado pela mesma dinâmica. Já as bolsas americanas fecharam o melhor primeiro semestre desde 2021, com o S&P 500 e o Nasdaq registrando forte avanço, puxados pelo rali de inteligência artificial.
Nos mercados emergentes, o índice MSCI EM subiu 23% no semestre, mas de forma concentrada em tecnologia. O Goldman Sachs vê espaço para o rali se espalhar para outros setores no segundo semestre, com o alívio do petróleo beneficiando mercados sensíveis a juros, como o Brasil.
Ibovespa em dois momentos
O Ibovespa fechou o semestre com alta de 6,76%, dividido em dois momentos: recorde de 199.354 pontos em abril e forte correção depois, puxada pela saída de capital estrangeiro. Para o segundo semestre, bancos divergem sobre a Bolsa brasileira. O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para o Ibovespa, com alvo de 215 mil pontos em 12 meses, enquanto o JPMorgan reduziu a recomendação para o país, citando o cenário eleitoral mais volátil e a piora fiscal.
Multimercados perdem até para a poupança
Atingidos em cheio pela imprevisibilidade da guerra no Irã, os multimercados patinaram e perderam até para a poupança no semestre, considerando o dado preliminar até 25 de junho. Enquanto o CDI rendeu 6,73%, o Índice de Hedge Funds Anbima (IHFA), que mede o desempenho médio da classe, acumulava alta de 2,84%, contra 4,07% da poupança.
A situação chegou a ser bem pior logo após o primeiro mês de guerra, quando o índice devolveu praticamente todo o ganho acumulado até então. Mas a recuperação não foi suficiente para reverter o estrago do período mais agudo da crise. Ainda assim, o resultado médio esconde uma dispersão grande entre os gestores: alguns multimercados vêm entregando retornos de até dois dígitos no ano, em boa parte apoiados em alocação no exterior.
Bitcoin no fim da fila
Na outra ponta, o Bitcoin (BTC) foi o pior ativo do semestre, com queda de 35,10%. A criptomoeda reage principalmente à virada da política monetária americana sob o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, defensor histórico de uma meta de inflação de 2% sem concessões, que reprecificou o ambiente de liquidez global. O movimento também desmontou o chamado “debasement trade”, aposta de que o endividamento dos governos corroeria o valor das moedas e beneficiaria ativos de oferta limitada como Bitcoin, ouro e prata, os três caindo juntos quando essa tese perdeu força.



