Petróleo dispara com escalada de tensões no Oriente Médio
O preço do petróleo Brent, referência internacional, saltou mais de 7% nesta quarta-feira, fechando acima de US$ 90 por barril pela primeira vez desde outubro de 2023. A alta foi impulsionada por novos confrontos na região do Golfo Pérsico, com ataques a refinarias na Arábia Saudita e a interrupção parcial da produção em campos petrolíferos do Irã.
Ataques a refinarias e interrupção de produção
De acordo com a agência de notícias Reuters, grupos armados não identificados lançaram drones contra duas refinarias sauditas na província de Eastern, causando incêndios de grandes proporções. A Saudi Aramco confirmou que a produção foi reduzida em cerca de 500 mil barris por dia. Simultaneamente, o governo iraniano reportou danos em instalações de petróleo na ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações do país.
“Estamos diante de um choque de oferta repentino em um mercado já apertado”, afirmou o analista de energia da Consultoria Capital, Carlos Mendes. “Se os distúrbios continuarem, podemos ver o Brent testar os US$ 100 nas próximas semanas.”
Impacto nos mercados globais e no Brasil
A disparada do petróleo pressionou as bolsas asiáticas e europeias, com o índice Stoxx 600 caindo 1,8%. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 recuavam 0,9% no after-market. No Brasil, a preocupação se volta para o impacto nos preços dos combustíveis. A Petrobras ainda não anunciou reajustes, mas especialistas preveem alta de até 15% na gasolina e no diesel se o barril se mantiver acima de US$ 90.
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, declarou em entrevista coletiva: “Monitoramos a situação e adotaremos medidas para minimizar os efeitos sobre o consumidor brasileiro, mas o mercado internacional determina os preços.”
Perspectivas de curto prazo
Analistas do Bank of America elevaram sua previsão para o Brent no terceiro trimestre de US$ 85 para US$ 95 por barril, citando o risco geopolítico elevado. A organização dos países exportadores de petróleo (Opep+) deve se reunir em caráter emergencial na próxima semana para discutir um possível aumento na produção, mas há divergências entre os membros.
O mercado de petróleo já enfrentava pressão de alta devido à recuperação da demanda global e aos cortes voluntários da Opep+. Com o novo choque, a volatilidade deve persistir enquanto durar o conflito.



