O petróleo desabou na abertura da semana depois que os Estados Unidos interromperam os ataques contra o Irã no fim de semana, aliviando os temores de desabastecimento de energia no Oriente Médio — mesmo com os houthis reivindicando ataques a alvos na Arábia Saudita. O Brent, referência global, caiu mais de 7% nos primeiros minutos, chegando a ficar abaixo de US$ 90 o barril, antes de se estabilizar perto dos US$ 92. O gás natural europeu também despencou.
Contexto do cessar-fogo temporário
Após bombardear o Irã por 13 dias seguidos, os EUA suspenderam os ataques desde o final de sexta-feira, sem qualquer explicação ou anúncio oficial. De acordo com analistas de mercado, essa pausa levantou questões sobre o próximo movimento do presidente Donald Trump. O exército iraniano, por sua vez, afirmou que Teerã também suspendeu suas ações de resposta, sinalizando uma trégua tática. A decisão americana ocorre em meio a negociações mediadas por Omã para estabelecer novas regras de navegação no Estreito de Ormuz, conforme reportagens do fim de semana.
Ataques houthis e impacto na Arábia Saudita
Mesmo com a trégua entre EUA e Irã, os houthis do Iêmen — apoiados pelo Irã — afirmaram no sábado que atacaram instalações da Saudi Aramco nas cidades portuárias de Jizan e Yanbu, no Mar Vermelho. Até o momento, nem o governo saudita nem a Aramco confirmaram a informação. Yanbu, localizada no extremo oeste do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, tornou-se o principal ponto de escoamento de petróleo bruto do país desde o fechamento prático do Estreito de Ormuz, movimentando milhões de barris por dia. Jizan abriga uma refinaria e um terminal de exportação da Aramco.
No fim de semana, as autoridades sauditas chegaram a emitir alertas de emergência para duas províncias, mas suspenderam os avisos pouco depois. Apesar da pausa nos bombardeios, a guerra entre EUA e Irã — que já dura quase cinco meses — continua gerando medo de um choque inflacionário global, com estoques cada vez mais baixos e preços dos derivados disparando.
Desempenho do mercado e perspectivas
O Brent acumula alta de mais de 25% neste mês, impulsionado pela escalada do conflito que se espalhou para além do Estreito de Ormuz, atingindo o Mar Vermelho. Na sexta-feira, o Brent já havia fechado em queda, em parte porque indicadores técnicos mostravam que os preços subiram demais e rápido demais após cinco sessões seguidas de alta. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, os estoques globais de petróleo estão nos níveis mais baixos dos últimos anos, ampliando a volatilidade.
O gás natural europeu também registrou forte recuo, refletindo o alívio temporário nas tensões geopolíticas. Especialistas do setor energético alertam, contudo, que a trégua pode ser frágil, especialmente diante da desconfiança em relação às intenções do novo líder iraniano. A inteligência dos EUA avalia que o filho do líder supremo morto tem maior disposição para desenvolver uma bomba nuclear, ao contrário do pai, que havia renunciado a armas atômicas.
Impacto econômico global
A queda do petróleo trouxe alívio momentâneo para os mercados financeiros, que temiam uma disparada inflacionária. No entanto, o cenário permanece incerto. O fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques no Mar Vermelho interrompem rotas críticas de suprimento, afetando não apenas o petróleo, mas também o comércio global. A Aramco, que não comentou os ataques de sábado, já havia desviado parte de sua produção para rotas alternativas, elevando custos logísticos.
Analistas do banco Goldman Sachs projetam que, se o conflito se intensificar novamente, o Brent pode superar os US$ 100 o barril nas próximas semanas. Por enquanto, a pausa nos bombardeios dá fôlego aos mercados, mas a dúvida sobre os próximos passos de Trump e do Irã mantém a volatilidade em alta.



