O fundo de private equity IG4 Capital está planejando uma fusão entre a Oncoclínicas, maior rede de tratamento oncológico do Brasil, e a Centaurus, gestora de hospitais oncológicos. Como parte do acordo, o IG4 reduziria sua participação no negócio combinado para algo entre 15% e 20%, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
Detalhes da transação
A operação envolveria a combinação das operações da Oncoclínicas, que tem cerca de 200 unidades em todo o país, com a Centaurus, que administra hospitais especializados em câncer. O IG4, que atualmente detém uma participação relevante na Oncoclínicas, pretende diluir sua posição para abrir espaço para novos investidores, incluindo fundos soberanos e family offices.
Segundo as fontes, o negócio está em fase avançada de negociação e pode ser anunciado nas próximas semanas. A avaliação da Oncoclínicas gira em torno de R$ 5 bilhões, enquanto a Centaurus é avaliada em aproximadamente R$ 1,5 bilhão. A fusão criaria um gigante no setor de oncologia no Brasil, com receita combinada superior a R$ 3 bilhões.
Motivações estratégicas
A decisão do IG4 de reduzir sua participação reflete uma estratégia de realizar ganhos com o investimento, após mais de cinco anos como acionista da Oncoclínicas. O fundo, que entrou na empresa em 2018 com uma fatia de 30%, busca agora reciclar capital para novos investimentos.
"O IG4 sempre teve uma visão de longo prazo para a Oncoclínicas, mas chegou o momento de abrir o capital para outros parceiros estratégicos", afirmou uma fonte próxima às negociações. A fusão com a Centaurus também permitiria ganhos de escala e sinergias operacionais, como compartilhamento de infraestrutura e otimização de custos.
Impacto no setor
Se concretizada, a fusão criará o maior grupo de oncologia da América Latina, com presença em 15 estados brasileiros e mais de 5 mil funcionários. A concentração de mercado, no entanto, pode atrair a atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que deverá analisar a operação.
Especialistas apontam que o movimento acompanha uma tendência global de consolidação no setor de saúde, impulsionada pela necessidade de escala para negociar com planos de saúde e incorporar novas tecnologias, como a medicina de precisão.



