Na manhã desta segunda-feira (27), o barril do petróleo Brent despencava 6,68%, negociado a aproximadamente US$ 85, enquanto o WTI caía mais de 6%, para US$ 83,26. A forte correção reflete a trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, que interromperam a troca de ataques no fim de semana, reduzindo o temor de uma escalada que comprometesse o fornecimento global da commodity.
Alívio nos mercados financeiros
A pausa no conflito impulsionou o apetite por risco. Em Wall Street, os futuros do S&P 500 avançavam cerca de 1%, os do Nasdaq subiam 1,6% e os do Dow Jones ganhavam 1%. Na Europa, o índice Stoxx 600 registrava alta de 0,7%, puxado por ações de companhias aéreas e do setor de turismo, beneficiadas pela perspectiva de combustíveis mais baratos. Em contrapartida, as ações de petroleiras recuavam com a queda do preço do barril.
No mercado cambial, o dólar perdia força. O euro valorizava 0,3% frente à moeda americana, e o dólar recuava 0,2% ante o iene japonês. A busca por ativos seguros diminuiu com o otimismo momentâneo.
Contexto do cessar-fogo tático
Na semana passada, o petróleo disparou com o agravamento dos confrontos diretos entre as duas nações. O mercado temia que os ataques afetassem a produção e o transporte da matéria-prima, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% das exportações globais de petróleo. A trégua, ainda que frágil, trouxe alívio imediato.
No domingo (26), o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou que o presidente Donald Trump está dando "algum espaço ao diálogo" com o Irã. Em resposta, o governo iraniano anunciou a suspensão de retaliações enquanto os americanos mantiverem a pausa. Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou nesta segunda-feira que "não há negociações em andamento" e negou que Teerã tenha solicitado conversas com Washington.
Ainda há riscos
Apesar do cessar-fogo, o mercado permanece alerta para possíveis interrupções no Estreito de Ormuz. Segundo a imprensa estatal iraniana, seis navios foram impedidos pela Guarda Revolucionária de atravessar o estreito nas últimas 24 horas, após tentarem uma rota considerada irregular. No dia anterior, outros quatro navios também haviam sido interceptados. Embora os bombardeios tenham cessado, a circulação de petróleo na região ainda enfrenta restrições, mantendo parte da incerteza.
Soma-se a isso a preocupação com ataques dos rebeldes houthis, aliados do Irã, a instalações petrolíferas no Mar Vermelho. Analistas alertam que qualquer nova escalada pode reverter rapidamente a queda dos preços.



