Os preços do petróleo recuaram nesta segunda-feira, apagando os ganhos da sessão anterior, depois que o Irã sinalizou disposição para retomar negociações diplomáticas com os Estados Unidos. O movimento aliviou os temores do mercado sobre uma possível interrupção no fornecimento da commodity, que haviam impulsionado as cotações na semana passada.
Queda nos contratos futuros
O contrato futuro do Brent para setembro fechou em queda de 1,8%, a US$ 82,40 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para agosto recuou 2,1%, para US$ 78,50 por barril. Na sexta-feira, ambos os benchmarks haviam subido mais de 2% com preocupações geopolíticas.
Segundo analistas do Commerzbank, a reversão reflete a percepção de que o risco imediato de uma escalada no Oriente Médio diminuiu. "O Irã parece estar recuando de uma postura mais agressiva, o que reduz o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços", afirmaram em nota.
Sinalização iraniana
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amirabdollahian, declarou em entrevista à imprensa estatal que Teerã está aberto a negociações "justas e honrosas" com Washington, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano. A declaração ocorre após semanas de tensão elevada, incluindo a apreensão de petroleiros no Golfo Pérsico.
"Estamos prontos para dialogar se houver vontade política real dos EUA", disse o chanceler, conforme publicado pela agência Irna. A Casa Branca ainda não respondeu oficialmente, mas fontes diplomáticas indicam que os canais de comunicação permanecem abertos.
Impacto no mercado
A perspectiva de uma solução diplomática reduz a probabilidade de sanções mais duras ou de um bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O Goldman Sachs estima que um fechamento total do estreito poderia elevar o petróleo para US$ 120 por barril.
"O mercado estava precificando um risco maior de interrupção, mas a sinalização iraniana alivia essa pressão", comentou Giovanni Staunovo, analista do UBS. "No curto prazo, o foco volta para os fundamentos de oferta e demanda, que ainda apontam para um mercado relativamente equilibrado."
Contexto mais amplo
Além do fator geopolítico, os preços do petróleo também foram pressionados por dados econômicos da China, que mostraram crescimento abaixo do esperado no segundo trimestre. O PIB chinês cresceu 4,7% no período, abaixo da meta de 5%, alimentando preocupações sobre a demanda do maior importador de petróleo do mundo.
Nos EUA, os estoques de petróleo bruto caíram menos que o previsto na semana passada, segundo dados do American Petroleum Institute, indicando demanda moderada. O mercado aguarda agora o relatório oficial da Administração de Informação de Energia (EIA) na quarta-feira.
Perspectivas
Analistas do JP Morgan alertam que, apesar do recuo, o cenário geopolítico continua volátil. "Qualquer revés nas negociações pode rapidamente reacender o prêmio de risco", escreveram em relatório. A OPEP+ mantém sua política de cortes de produção, mas a expectativa é de que o grupo comece a relaxar as restrições a partir de outubro.
Para o curto prazo, o Brent deve oscilar entre US$ 80 e US$ 85, enquanto o mercado avalia os sinais diplomáticos e os dados econômicos globais.



