O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) colocou as usinas termelétricas em estado de prontidão para o período de setembro a dezembro, como medida preventiva diante dos efeitos esperados do El Niño. A solicitação visa garantir o abastecimento energético em um momento crítico, quando a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem pressionar o sistema elétrico brasileiro.
Medida preventiva do ONS
De acordo com o ONS, a prontidão das termelétricas significa que essas usinas devem estar preparadas para iniciar operação rapidamente, caso necessário. A medida busca compensar a menor geração das hidrelétricas, que dependem do volume de chuvas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o El Niño tende a reduzir as precipitações. Além disso, o ONS solicitou que as empresas de energia comuniquem com antecedência sobre manutenções e eventuais paralisações, permitindo um planejamento mais eficiente do sistema.
Impactos do El Niño no sistema elétrico
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera os padrões climáticos globais. No Brasil, seus efeitos variam conforme a região: no Sul, há tendência de aumento das chuvas, enquanto no Norte e Nordeste, a redução é significativa. As temperaturas também sobem em boa parte do país, elevando a demanda por energia, especialmente para refrigeração. Essa combinação — menor oferta hídrica e maior consumo — acende o alerta para o setor elétrico.
Ações do governo federal
Paralelamente ao alerta do ONS, o governo federal antecipou a contratação de energia adicional, reforçando contratos existentes para assegurar o suprimento no período seco. Essa medida busca evitar que o país enfrente uma crise energética semelhante à de 2021, quando a escassez hídrica forçou o acionamento de termelétricas e o aumento das tarifas. A expectativa é que, com o planejamento antecipado, o sistema consiga atender à demanda sem necessidade de racionamento.
Desafios e custos das termelétricas
As usinas termelétricas, embora essenciais para a segurança energética, têm custos operacionais mais altos e emitem mais poluentes em comparação com as hidrelétricas. O acionamento desse parque gerador tende a elevar o custo da energia no curto prazo, impactando consumidores e indústrias. No entanto, o ONS destaca que a prontidão é uma medida preventiva e que o sistema pode ser gerenciado de forma a minimizar os impactos financeiros e ambientais.
Alerta para as regiões
O ONS monitora de perto as condições climáticas e hidrológicas, especialmente nas bacias dos rios que alimentam as principais hidrelétricas do país. As regiões Norte e Nordeste, que já enfrentam históricos de estiagem, são as mais vulneráveis. Já no Sul, o excesso de chuvas pode trazer riscos de inundações, mas também beneficia os reservatórios locais. O período de setembro a dezembro é crucial, pois antecede o início do período chuvoso na maior parte do Brasil.



