Natura aposta em novo parceiro para escalar dendê agroflorestal na Amazônia
Natura aposta em parceiro para dendê agroflorestal

A Natura anunciou uma nova parceria estratégica para expandir a produção de dendê em sistemas agroflorestais na Amazônia. O objetivo é aumentar a escala do cultivo sustentável, que combina árvores nativas com palmeiras de dendê, promovendo a regeneração florestal e a geração de renda para agricultores familiares.

Modelo agroflorestal ganha escala

O novo parceiro é a empresa Belém Agroflorestal, especializada em sistemas integrados de produção. A expectativa é que, nos próximos cinco anos, a área cultivada com dendê agroflorestal salte de 500 hectares para 3 mil hectares. Segundo a Natura, o modelo já demonstrou capacidade de recuperar áreas degradadas e sequestrar carbono, além de produzir óleo de dendê com menor impacto ambiental.

A parceria prevê assistência técnica, fornecimento de mudas e garantia de compra da produção. Cerca de 200 famílias de agricultores serão envolvidas diretamente. “Queremos mostrar que é possível conciliar produtividade com conservação ambiental”, afirmou o diretor de Inovação da Natura, João Paulo Ferreira.

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Impacto na cadeia de cosméticos

O dendê é um dos principais insumos da linha de cosméticos da empresa, usado em sabonetes, cremes e xampus. Atualmente, a Natura consome cerca de 10 mil toneladas de óleo de dendê por ano. Com a expansão, a meta é que 30% desse volume venha de sistemas agroflorestais até 2030.

A iniciativa faz parte do compromisso da empresa de neutralizar emissões de carbono e promover a bioeconomia na Amazônia. Especialistas apontam que a agrofloresta com dendê pode gerar até três vezes mais renda por hectare do que a pecuária extensiva, além de manter a cobertura florestal.

Desafios e expectativas

Apesar do potencial, a escalabilidade do modelo enfrenta desafios, como a necessidade de financiamento de longo prazo e a capacitação de mão de obra. A Natura planeja investir R$ 50 milhões nos próximos quatro anos na parceria. O projeto também conta com apoio do BNDES e da Agência de Desenvolvimento da Amazônia.

“O dendê agroflorestal é uma solução baseada na natureza que pode transformar a economia regional”, disse Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, em nota. A expectativa é que o modelo sirva de referência para outras empresas do setor.

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