O Brasil enfrenta a menor cobertura de seguro rural em duas décadas justamente quando o fenômeno El Niño aumenta os riscos climáticos para o agronegócio. Dados do Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR) indicam que apenas 2,8% das áreas plantadas estão seguradas, um patamar crítico diante da ameaça de eventos extremos.
Cortes no PSR reduzem proteção
O PSR, principal instrumento de fomento ao seguro rural, sofreu cortes orçamentários nos últimos anos, limitando sua capacidade de subsidiar prêmios. Com isso, a área segurada encolheu para o menor nível desde 2004. Especialistas apontam que a política pública tem privilegiado subsídios ao crédito rural, deixando o seguro em segundo plano.
Vulnerabilidade do setor
A baixa cobertura expõe produtores a perdas significativas em caso de quebra de safra. Segundo analistas, o endividamento elevado e o aumento dos custos de insumos agravam a situação. “Sem seguro, o produtor fica desprotegido contra intempéries que podem comprometer toda a produção”, afirma um especialista do setor.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico, tende a provocar secas no Norte e Nordeste e chuvas intensas no Sul do Brasil, afetando cultivos como soja, milho e trigo. A falta de cobertura amplia o risco de desabastecimento e inflação de alimentos.
Reunião com Alcolumbre
Na quarta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, recebe centrais sindicais, membros do governo e autores de proposta sobre redução da jornada de trabalho, antes de sessão temática. O texto ainda não foi despachado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A pauta, no entanto, não está diretamente ligada ao seguro rural, mas reflete a agenda legislativa em meio à crise climática.



