A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo foi inaugurada parcialmente neste domingo (29), 18 anos após a primeira promessa de construção. O trecho inicial, com seis estações, liga o bairro de Perdizes, na zona oeste, à região da zona norte da capital paulista. A entrega estava originalmente prevista para outubro de 2026, mas foi antecipada em três meses.
Histórico e atrasos
A promessa da Linha 6-Laranja remonta a 2008, quando o governo estadual anunciou o projeto como parte do plano de expansão do metrô. Desde então, a obra enfrentou sucessivos adiamentos, problemas de financiamento e disputas judiciais. A concessionária Acciona, responsável pela construção, assumiu o contrato em 2013, mas as obras só começaram efetivamente em 2015. Em 2020, a empresa chegou a paralisar os trabalhos por falta de pagamento, gerando incertezas sobre a conclusão.
O trecho inaugurado
As seis estações abertas ao público são: Brasilândia, Jardim Paulistano, Freguesia do Ó, Vila Palmeiras, Pirituba e Perdizes. A linha opera em horário reduzido, das 6h às 20h, inicialmente com intervalos de 10 minutos entre os trens. A previsão é que, nos próximos meses, a frequência seja ampliada para 5 minutos nos horários de pico. A capacidade estimada é de 300 mil passageiros por dia nesse primeiro trecho.
Impacto na mobilidade
A Linha 6-Laranja é considerada estratégica para desafogar o trânsito na região noroeste de São Paulo, uma das áreas mais populosas e com menor oferta de transporte sobre trilhos. Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, a linha deve reduzir em até 30% o tempo de deslocamento dos moradores da zona norte para o centro da cidade. "A inauguração deste trecho representa um marco para a mobilidade urbana, mas ainda há muito a ser feito para atender a demanda da população", afirmou o secretário de Transportes, João Paulo Ribeiro, durante a cerimônia de abertura.
Próximas etapas
O governo estadual estabeleceu o prazo de outubro de 2027 para a conclusão total da Linha 6-Laranja, que terá 15 estações ao longo de 15 quilômetros, conectando a Brasilândia, na zona norte, à Estação São Joaquim, na linha 1-Azul. As próximas estações a serem entregues incluem Santa Marina, Água Branca e Pompeia. A obra completa está orçada em R$ 18 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões já foram investidos.
Reações e críticas
A inauguração parcial foi recebida com entusiasmo por moradores, mas também gerou críticas de especialistas em mobilidade. O urbanista Marcos de Sousa, do Instituto de Engenharia, destacou que "a demora de 18 anos para abrir apenas seis estações é inaceitável para uma cidade do porte de São Paulo". Por outro lado, a Associação de Moradores da Brasilândia celebrou a chegada do metrô, que deve valorizar a região e melhorar a qualidade de vida. A concessionária Acciona informou que as obras do trecho restante estão dentro do cronograma e que a meta é antecipar a entrega final.



