O lucro ajustado da Shell no segundo trimestre atingiu US$ 9,84 bilhões, ante US$ 6,915 bilhões no trimestre anterior, superando as expectativas dos analistas, que previam US$ 8,92 bilhões, segundo dados da Vara Research. O resultado foi impulsionado por um forte desempenho nas operações de trading e por preços mais elevados em meio ao conflito no Oriente Médio.
Recompra de ações mantida em US$ 3 bilhões
A gigante britânica de energia manteve seu programa trimestral de recompra de ações em US$ 3 bilhões, mesmo valor anunciado em maio, quando reduziu o montante de US$ 3,5 bilhões. Este é o 19º trimestre consecutivo com recompras de pelo menos US$ 3 bilhões, demonstrando a confiança da empresa em sua geração de caixa.
Desempenho operacional recorde
A Shell afirmou que o desempenho reflete produção recorde no upstream no Brasil e utilização recorde de suas refinarias. As margens mais elevadas levaram o lucro ajustado da divisão de químicos ao maior nível desde o terceiro trimestre de 2021. No segundo trimestre, a empresa gerou US$ 21,4 bilhões em fluxo de caixa operacional e reduziu a dívida líquida para US$ 42 bilhões, ante US$ 52,6 bilhões ao fim do primeiro trimestre.
Impacto do conflito no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio gerou um ganho inesperado para as grandes petrolíferas. As mesas de trading da Shell se beneficiaram do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, passagem estratégica no Golfo Pérsico por onde normalmente escoa cerca de um quinto do petróleo e do gás do mundo. As operações de upstream também registraram lucros robustos com a alta dos preços, após clientes correrem para substituir a oferta retida na região. Já as empresas com capacidade de refino se beneficiam de margens em níveis recordes para produtos como diesel, querosene de aviação e petroquímicos.
Perda de produção no Catar
A companhia informou que o conflito levou à perda de cerca de 10% de sua produção total, devido a ativos danificados ou paralisados no Catar, onde controla a planta Pearl de gás para líquidos e detém 30% de participação em uma unidade de GNL da QatarEnergy. Apesar disso, o balanço geral do trimestre foi positivo, com o lucro ajustado superando as estimativas.
Segundo a Shell, o desempenho recorde no Brasil e nas refinarias, combinado com o ambiente de preços elevados, permitiu à empresa manter sua política de remuneração aos acionistas. O fluxo de caixa robusto e a redução da dívida reforçam a posição financeira da companhia em meio à volatilidade geopolítica.



