Governo cria grupo para avaliar uso de urânio em Programa Nuclear
Governo cria grupo para avaliar uso de urânio nuclear

O governo federal criou um grupo de trabalho para avaliar o uso de urânio no Programa Nuclear Brasileiro. A iniciativa, anunciada nesta quinta-feira (2), tem como objetivo estudar a viabilidade técnica e econômica da utilização do mineral na geração de energia elétrica, além de reduzir a dependência externa de combustíveis nucleares.

Composição e objetivos do grupo

O grupo será composto por representantes dos ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, e da Defesa, além de técnicos da Eletronuclear e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O prazo para a apresentação de um relatório final é de 180 dias.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o estudo deve contemplar desde a mineração do urânio até a geração de energia em usinas nucleares, passando pelo enriquecimento do mineral. "O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo, mas ainda importamos tecnologia e serviços para o ciclo nuclear", afirmou o ministro, em nota.

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Impactos na matriz energética

Atualmente, o Brasil opera duas usinas nucleares em Angra dos Reis (RJ), que respondem por cerca de 3% da geração elétrica nacional. A expansão do programa nuclear poderia aumentar essa participação, especialmente com a conclusão de Angra 3, cujas obras estão paralisadas.

Especialistas apontam que o uso do urânio nacional pode trazer benefícios econômicos e estratégicos. "O país pode se tornar autossuficiente no ciclo do combustível nuclear, gerando empregos e reduzindo custos", disse o presidente da CNEN, em entrevista.

Desafios e críticas

No entanto, a iniciativa enfrenta críticas de ambientalistas e parte da sociedade civil, que questionam os riscos da energia nuclear e o destino dos rejeitos radioativos. O governo afirma que todas as questões de segurança serão avaliadas pelo grupo de trabalho.

O grupo também deverá analisar a possibilidade de parcerias com empresas privadas para a exploração de urânio, atualmente monopolizada pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A expectativa é que o relatório final sirva de base para a formulação de políticas públicas de longo prazo para o setor nuclear.

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