Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira revela que a maioria dos brasileiros (59%) apoia a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No entanto, 74% dos entrevistados discordam da possibilidade de os Estados Unidos realizarem ataques contra membros dessas facções em território brasileiro sem autorização do governo local.
Detalhes da pesquisa
O levantamento, realizado entre os dias 20 e 21 de junho, ouviu 2.016 pessoas em 130 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os dados mostram uma opinião pública dividida entre o endurecimento no combate ao crime organizado e a defesa da soberania nacional.
Entre os que apoiam a classificação como terroristas, 35% concordam totalmente e 24% concordam parcialmente. Já 23% discordam totalmente e 12% discordam parcialmente. Os 6% restantes não souberam opinar.
Rejeição à intervenção dos EUA
A rejeição a uma eventual ação militar americana no Brasil é ainda mais expressiva: 74% dos entrevistados são contra, sendo 58% totalmente contra e 16% parcialmente contra. Apenas 22% são a favor (12% totalmente e 10% parcialmente).
Segundo o Datafolha, a posição reflete o receio de violação da soberania nacional e o temor de que uma intervenção estrangeira possa agravar a violência no país.
Influência de Flávio Bolsonaro
A pesquisa também abordou a percepção sobre a influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão americana de incluir as facções brasileiras na lista de organizações terroristas. Para 54% dos entrevistados, o senador teve influência nessa decisão. Outros 28% acreditam que não teve influência, e 18% não souberam responder.
O governo dos Estados Unidos anunciou, no início de junho, a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas estrangeiras, o que permite o congelamento de ativos e a proibição de transações financeiras com os grupos.
Contexto e repercussões
O PCC e o Comando Vermelho são as duas maiores facções criminosas do Brasil, com atuação em vários estados e também em países vizinhos. A classificação como terroristas pelos EUA foi vista como um passo importante no combate ao crime organizado transnacional.
No entanto, a possibilidade de ações militares americanas em solo brasileiro gerou polêmica. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que não autorizaria qualquer operação estrangeira sem o devido respaldo jurídico e diplomático.
A pesquisa Datafolha revela, portanto, um equilíbrio delicado entre o apoio a medidas mais duras contra o crime e a defesa intransigente da soberania nacional.



