Perfuração na Foz do Amazonas segue cronograma apesar de vazamento e disputa judicial
Foz do Amazonas: perfuração segue cronograma apesar de vazamento

A Petrobras informou à Rede Amazônica que a perfuração do poço Morpho, localizado em águas ultraprofundas na costa do Amapá, prossegue dentro do cronograma estabelecido. A conclusão está prevista entre agosto e setembro de 2026, dependendo do andamento das atividades. A estatal destacou que os trabalhos estão dentro da normalidade esperada para projetos desse tipo, conduzidos com rigorosos protocolos de segurança e cuidado ambiental.

Vazamento e suspensão temporária

Em janeiro de 2026, um incidente na perfuração resultou no vazamento de mais de 18 mil litros de fluido sintético. O episódio levou à suspensão temporária das atividades. Em fevereiro, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizou a retomada, condicionada a medidas de reforço técnico e de segurança. A Petrobras afirmou que as recomendações foram atendidas e que a operação segue monitorada.

Disputa judicial e licença ambiental

A licença ambiental para a perfuração foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025 e permanece válida. Contudo, o Ministério Público Federal (MPF) acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) para tentar suspender a autorização. O MPF argumenta que não houve consulta prévia às comunidades tradicionais e que os riscos ambientais na região da Foz do Amazonas precisam ser melhor avaliados antes da continuidade da exploração.

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Importância estratégica para o Brasil

O poço Morpho marca o início da exploração da Margem Equatorial, considerada uma nova fronteira energética para o país. A Petrobras prevê investir cerca de R$ 13 bilhões até 2030 para perfurar até 15 poços exploratórios na região. O objetivo é diversificar as reservas de petróleo e compensar o declínio natural dos campos maduros das bacias de Campos e Santos.

Potencial exploratório da Margem Equatorial

O governo federal estima que a Margem Equatorial abrigue reservas capazes de produzir 1,1 milhão de barris de petróleo por dia – volume superior à capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris diários, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil. Segundo o Ministério de Minas e Energia, com essa produção seria possível extrair até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil possui uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris, o que seria suficiente para manter o país autossuficiente até 2030 sem necessidade de importação. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas, especificamente, contém um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente, conforme estudo dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.

A perfuração do poço Morpho, portanto, representa um passo crucial para a consolidação da Margem Equatorial como nova fronteira energética, embora enfrente desafios ambientais e jurídicos que podem influenciar seu cronograma e viabilidade.

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