Eni e TotalEnergies fecham parceria em campo de gás no Chipre para impulsionar energia europeia
Eni e TotalEnergies unem forças em gás no Chipre

A italiana Eni e a francesa TotalEnergies anunciaram uma parceria estratégica no campo de gás natural de 'Glaucus', localizado na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Chipre. O acordo prevê o desenvolvimento conjunto do campo, com investimento estimado em €1,5 bilhão e previsão de produção de 3 bilhões de metros cúbicos por ano a partir de 2028. A iniciativa é vista como um impulso significativo para a diversificação das fontes de energia na Europa, que busca reduzir a dependência do gás russo.

Detalhes da parceria

Segundo comunicado conjunto, a Eni deterá 50% do projeto, enquanto a TotalEnergies ficará com os outros 50%. As empresas pretendem compartilhar infraestruturas e tecnologias de extração para otimizar os custos. 'Esta parceria combina a expertise das duas maiores operadoras de gás do Mediterrâneo', afirmou Claudio Descalzi, CEO da Eni. 'O projeto Glaucus é fundamental para a segurança energética europeia.'

O campo Glaucus foi descoberto em 2018 e estima-se que contenha reservas de cerca de 200 bilhões de metros cúbicos de gás. A produção será escoada através de um gasoduto até o Egito, onde o gás será processado para exportação ou reinjeção na rede europeia via o Gasoduto do Mediterrâneo Oriental (EastMed), ainda em planejamento.

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Impacto geopolítico e energético

A parceria ocorre em um momento crítico para a União Europeia, que busca fontes alternativas ao gás russo após a invasão da Ucrânia. Chipre, com reservas significativas no Mediterrâneo Oriental, tem potencial para se tornar um polo energético. 'O desenvolvimento do campo de gás cipriota reforça a posição da Europa como um player energético independente', disse Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies.

O projeto também pode impulsionar a economia cipriota, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. As autoridades cipriotas estimam que o país pode arrecadar até €500 milhões anuais em royalties e impostos quando a produção estiver em pleno funcionamento.

Desafios ambientais e logísticos

Apesar do otimismo, o projeto enfrenta críticas de grupos ambientalistas, que apontam riscos de vazamentos e impactos na biodiversidade marinha. A Eni e a TotalEnergies se comprometeram a adotar as melhores práticas de sustentabilidade, incluindo a captura de carbono e o uso de energia renovável nas operações offshore. 'Estamos determinados a equilibrar produção energética e proteção ambiental', garantiu Descalzi.

Outro desafio é a logística de construção de gasodutos em águas profundas e a necessidade de acordos com países vizinhos, como Turquia, que contesta as fronteiras marítimas de Chipre. Especialistas alertam que tensões geopolíticas podem atrasar o cronograma. No entanto, o governo cipriota afirma que já está negociando com parceiros internacionais para viabilizar o projeto.

Perspectivas futuras

A parceria Eni-TotalEnergies é vista como um modelo de cooperação energética no Mediterrâneo. Além do gás, as empresas avaliam investimentos em hidrogênio azul e captura de carbono no futuro. O campo Glaucus pode abastecer até 1,5 milhão de residências europeias anualmente.

Com a conclusão prevista para 2028, o projeto será um dos maiores investimentos em infraestrutura de gás na Europa na última década. A União Europeia já sinalizou apoio financeiro, considerando o projeto crucial para a estratégia de transição energética do bloco.

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