O fenômeno El Niño deve aumentar a volatilidade dos preços no setor elétrico brasileiro e testar a capacidade de caixa das geradoras, afirma a agência de classificação de risco Fitch Ratings. A projeção indica que o preço médio de curto prazo da energia (PLD) deve ficar em torno de R$ 300 por MWh na segunda metade de 2026, um salto de 20% em relação aos R$ 250/MWh registrados no mesmo período de 2025.
Impacto climático e geração hídrica
O cenário climático amplia as incertezas sobre o volume de geração das usinas hidrelétricas, principal fonte de energia do país. Com a redução das chuvas típica do El Niño, os reservatórios podem ficar em níveis mais baixos, aumentando a necessidade de acionamento de termelétricas, que têm custo mais elevado. Isso pressiona os preços de curto prazo e eleva o risco para as empresas do setor.
Teste de caixa para geradoras
Segundo a Fitch, a volatilidade maior exigirá que as geradoras mantenham liquidez robusta para enfrentar oscilações no fluxo de caixa. Empresas com maior exposição ao mercado de curto prazo e menor capacidade de hedge podem sofrer mais. A agência alerta que, se os preços se mantiverem elevados por um período prolongado, o impacto sobre o capital de giro pode ser significativo.
A projeção de R$ 300/MWh para o segundo semestre de 2026 representa um aumento relevante frente à média histórica e ao mesmo período do ano anterior. A Fitch destaca que o cenário ainda depende da intensidade do El Niño e da recuperação dos reservatórios. Caso o fenômeno seja mais severo, os preços podem superar essa estimativa.



