A conta de luz dos paraenses pode ficar mais cara a partir da próxima sexta-feira, 7 de agosto de 2026. A Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) se reúne nesta terça-feira (4) para deliberar sobre o Reajuste Tarifário Anual da Equatorial Pará. A proposta em análise prevê um aumento médio de 7,60% nas tarifas, impactando diretamente cerca de 3,12 milhões de unidades consumidoras nos 144 municípios do estado.
Reajuste proposto e vigência
Se aprovado, o reajuste deve pressionar ainda mais o custo de vida no Pará no segundo semestre, em um ano marcado pela retomada da força da inflação em diversos setores da economia nacional, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA).
Como ficam as tarifas propostas:
- Consumidores de Baixa Tensão (residências e comércio): alta de 7,40%.
- Consumidores de Alta Tensão (indústrias e grandes empresas): alta de 8,42%.
- Reajuste médio proposto: 7,60%.
- Início da vigência: 7 de agosto de 2026.
Alívio temporário evitou alta de 13%
De acordo com os documentos técnicos que subsidiam a decisão da agência reguladora, o impacto no bolso do consumidor paraense poderia ter sido quase o dobro. Caso fossem considerados apenas os componentes econômicos tradicionais do cálculo tarifário, o reajuste médio seria de 13,41% (com alta de 13,92% para a baixa tensão e de 11,30% para a alta tensão). O impacto foi mitigado pela inclusão antecipada de R$ 500 milhões oriundos do Uso do Bem Público (UBP), recurso que foi revertido para amortecer a alta e reduzir o índice final para a média de 7,60%.
O que puxa o aumento da energia?
Segundo dados da ANEEL, cerca de 61% da composição da tarifa de energia no Pará corresponde aos custos da chamada Parcela A. Essa fatia engloba despesas que fogem ao controle direto da distribuidora, como:
- Compra de energia;
- Encargos setoriais;
- Custos de transmissão;
- Componentes financeiros de ciclos tarifários anteriores.
Já os custos operacionais próprios da distribuidora (chamados de Parcela B) representam 39% da tarifa e, neste ciclo, ajudaram a amortecer parcialmente o índice final de reajuste.
Impactos na economia regional
As análises do Dieese-PA apontam que a tarifa de energia elétrica é um dos itens mais sensíveis para o orçamento das famílias, pois gera um "efeito cascata" na economia regional. Para Everson Costa, supervisor técnico do Dieese, "a energia elétrica tem um comportamento diferente da maioria dos produtos".
"O primeiro impacto é direto, quando o consumidor recebe a conta de luz mais cara em casa e isso é captado imediatamente pelos índices de inflação, como o IPCA e o INPC. O segundo impacto é indireto: como comércio, supermercados, padarias e indústrias usam muita energia, eles acabam repassando essa alta para o preço final dos produtos e serviços", explica.
O aumento ocorre em um momento delicado para os trabalhadores locais. Embora a inflação tenha dado sinais de desaceleração em alguns meses de 2026, o custo de vida, especialmente o preço dos alimentos, continua comprometendo uma fatia significativa da renda de quem ganha até um salário mínimo.
Paradoxo energético
O reajuste também reacende o debate sobre uma contradição histórica apontada pelo DIEESE/PA, que é Pará ser um dos maiores produtores de energia elétrica do país, abrigando grandes usinas hidrelétricas que abastecem o Sistema Interligado Nacional (SIN). Apesar da riqueza de recursos, a população local continua pagando tarifas elevadas.
Um levantamento histórico realizado pelo órgão revela que, entre 2016 e 2025, a tarifa residencial acumulou uma alta de 81,62%, enquanto a inflação oficial medida pelo INPC no mesmo período ficou em torno de 56%. Na prática, mesmo os trabalhadores que tiveram salários reajustados integralmente pela inflação perderam poder de compra para arcar com a conta de luz ao longo da última década, segundo o Dieese.



