O mercado de petróleo vive um período de forte volatilidade, com o barril do Brent ultrapassando a marca de US$ 95. Para especialistas, no entanto, esse valor não deve se consolidar como o novo preço médio da commodity. A avaliação é de que o atual patamar é impulsionado diretamente pelo conflito no Oriente Médio, que gera efeitos estruturais capazes de alterar o equilíbrio do mercado mesmo após o cessar-fogo.
Brent acima de US$ 95: pico temporário ou novo patamar?
De acordo com Pedro Rodrigues, analista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o Brent a US$ 95 não representa o novo normal. "O preço atual reflete o prêmio de risco geopolítico. Em situações de conflito, os mercados tendem a super-reagir. Mas, historicamente, após a estabilização, os preços retornam a níveis mais baixos", explicou Rodrigues. Ele ressalta que, embora picos acima de US$ 100 sejam possíveis durante a escalada das hostilidades, o médio prazo deve trazer ajustes.
Guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz
A escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã elevou a tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O temor de interrupção no fluxo de petróleo fez os preços dispararem e os títulos públicos caírem, com investidores buscando ativos mais seguros. A volatilidade deve continuar enquanto não houver sinais claros de desescalada.
Impactos para o Brasil e a economia global
Para o Brasil, a alta do petróleo tem efeitos mistos. Por um lado, eleva as receitas da Petrobras e do governo com royalties e participações; por outro, pressiona os custos de combustíveis e a inflação. No cenário global, o aumento do petróleo pode desacelerar a recuperação econômica, especialmente em países importadores. Rodrigues alerta que, mesmo que o Brent volte a patamares mais baixos, a estrutura do mercado pode mudar: "A guerra pode elevar o patamar médio pós-conflito, caso haja danos permanentes à infraestrutura de produção ou rotas de transporte".
Perspectivas para os próximos meses
Os analistas acompanham de perto as decisões da Opep+ e a resposta dos EUA, que podem liberar reservas estratégicas para conter os preços. Enquanto isso, a recomendação é cautela. "O cenário é de alta volatilidade. O preço pode oscilar entre US$ 90 e US$ 100 nas próximas semanas", conclui Rodrigues.



