Empresas brasileiras de energia lideram em maturidade digital, diz Siemens
Brasil lidera em maturidade digital no setor de energia

Mesmo em um setor tradicionalmente conservador, as empresas brasileiras de energia se destacam pela maturidade digital. A avaliação é de Thiago Ribeiro, head global para as indústrias de Energia, Química e Infraestrutura da Siemens. Em entrevista exclusiva, ele afirmou: "O Brasil não deve nada a ninguém. Temos grandes escolas de engenharia, grandes empresas, grandes líderes e grandes visões."

Carreira global e visão sobre o setor

Ribeiro, brasileiro com trajetória nos setores de Óleo e Gás, assumiu em 2025 a liderança global na Siemens. Para ele, é questão de tempo até que grandes companhias brasileiras de energia e mineração se tornem potências mundiais em exploração de recursos naturais com tecnologia.

"Essas indústrias movimentam muito dinheiro, mas trabalham com ativos envelhecidos, alguns com até 50 anos", explica. Esse fator reforça a necessidade de adoção tecnológica, especialmente diante de metas de descarbonização e transição energética.

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Armazém digital da Petrobras

Ribeiro destaca um projeto inovador: a Petrobras (PETR4) desenvolveu com a Siemens um "armazém digital" para peças críticas. A solução cria um registro digital das peças, permitindo reengenharia para torná-las mais robustas. "Se quebrou uma vez, pode quebrar de novo. Com os dados, fazemos uma peça mais resistente", afirma.

O executivo ressalta o aspecto sustentável: a nova peça pode ser feita de materiais menos corrosivos e mais leves, como plásticos verdes de baixa pegada de carbono, contribuindo para créditos de carbono e métricas ESG.

Desafios do conservadorismo

Apesar dos avanços, a indústria energética brasileira compartilha um sintoma global: o risco de operações, como vazamentos, leva ao conservadorismo. Segundo estudo da Deloitte, 41% das empresas já usam tecnologias digitais amplamente, mas inovações disruptivas ainda são raras.

Para lideranças ouvidas na pesquisa, a concentração em projetos de baixo risco reflete pressão por resultados rápidos e baixa maturidade cultural para apostas ousadas.

Oportunidades em terras raras

"O Brasil é um dos países com tecnologia mais avançada em mineração. Recebia ligações semanais de colegas da África do Sul e Austrália perguntando sobre nossos avanços", conta Ribeiro.

Ele cita as terras raras: hoje, só a China domina o beneficiamento desses minerais, essenciais para baterias e eletrônicos. O Brasil tem potencial de extração, mas o processamento ainda é um desafio. "Temos os engenheiros e líderes certos. Há também uma questão de soberania nacional", aponta.

Um marco legal para terras raras tramita no Senado, visando criar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. "Precisamos elevar a tecnologia dos laboratórios para a operação", defende Ribeiro. Enquanto a legislação não avança, o papel das empresas e do governo na exploração ainda não está claro.

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