A Vale (VALE3) reportou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, uma queda de 15% em relação aos R$ 14,5 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado principalmente pela desvalorização do minério de ferro no mercado internacional, que caiu 12% na média do período, para US$ 98 por tonelada.
Desempenho financeiro e operacional
A receita líquida da mineradora somou R$ 78,5 bilhões no semestre, recuo de 8% ante os R$ 85,3 bilhões de 2024. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 28,7 bilhões, queda de 11%. A margem Ebitda passou de 37,8% para 36,6%.
No segundo trimestre isolado, o lucro líquido foi de R$ 6,1 bilhões, queda de 6% na comparação trimestral e de 18% ante o mesmo trimestre de 2024. A produção de minério de ferro atingiu 89 milhões de toneladas no semestre, estável em relação ao ano anterior, mas as vendas caíram 3% devido à menor demanda da China.
Impacto de custos e preços
Os custos de produção (C1) subiram 5% no semestre, para US$ 22 por tonelada, pressionados por aumento de gastos com combustíveis e manutenção de equipamentos. O frete marítimo também subiu, elevando o custo total de entrega na China para US$ 8 por tonelada.
Segundo o CFO da Vale, Gustavo Pimenta, “o resultado reflete o cenário de preços mais baixos e custos operacionais mais altos, mas estamos otimistas com a retomada gradual da demanda chinesa no segundo semestre, impulsionada por estímulos econômicos do governo local”.
Endividamento e investimentos
A dívida líquida da Vale encerrou junho em R$ 5,2 bilhões, redução de R$ 1,8 bilhão em relação a dezembro de 2025, graças ao forte fluxo de caixa operacional de R$ 18,3 bilhões no semestre. Os investimentos (capex) somaram R$ 9,5 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em projetos de expansão e R$ 4,3 bilhões em manutenção.
A empresa manteve a projeção de investimentos totais de R$ 19 bilhões para 2025. No entanto, anunciou a revisão do plano de produção para 2026, de 340 milhões de toneladas para 335 milhões, devido a atrasos em licenças ambientais no Pará.
Perspectivas e próximos passos
A Vale projeta preços do minério de ferro entre US$ 90 e US$ 100 por tonelada no segundo semestre, com volatilidade associada às decisões de política monetária na China e à oferta global. A mineradora também destacou avanços na descarbonização, com a conclusão de mais duas usinas de energia solar na Bahia, totalizando 1,2 GW de capacidade renovável própria.
O mercado reagiu com leve baixa de 0,3% nas ações da Vale na B3 nesta quinta-feira, para R$ 58,70, após a divulgação do balanço. Analistas do BTG Pactual classificaram o resultado como “dentro do esperado” e mantiveram recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 74.



