A Unilever revisou para cima suas projeções de crescimento anual após registrar uma aceleração no ritmo de vendas no segundo trimestre de 2026. A gigante anglo-holandesa de bens de consumo informou que o crescimento subjacente das vendas (USG) atingiu 5,6% no período, acima dos 4,2% registrados no primeiro trimestre. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos mercados emergentes, que representam cerca de 60% da receita total da companhia.
Resultados do segundo trimestre superam expectativas
As vendas totais da Unilever no segundo trimestre somaram €15,3 bilhões, um aumento de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido atingiu €2,5 bilhões, alta de 12,3% ante o segundo trimestre de 2025. A margem operacional melhorou para 18,4%, contra 17,2% um ano antes, refletindo ganhos de eficiência e redução de custos.
O CEO Alan Jope destacou que “o forte desempenho nos mercados emergentes, especialmente na Índia, Indonésia e Brasil, foi o principal motor do crescimento. Nossas inovações em categorias como alimentos, cuidados pessoais e limpeza doméstica continuam a ganhar participação de mercado”.
Projeções elevadas para 2026
Com base no desempenho do primeiro semestre, a Unilever agora espera que o crescimento subjacente das vendas para o ano fiscal de 2026 fique entre 4,5% e 5,5%, acima da previsão anterior de 3,5% a 4,5%. A empresa também elevou a perspectiva de margem operacional, que deve se situar entre 18% e 19%, ante 17% a 18% projetados anteriormente.
O diretor financeiro Graeme Pitkethly afirmou que “a aceleração no segundo trimestre nos dá confiança de que nossas estratégias de portfólio e precificação estão funcionando. Estamos investindo em marcas premium e em canais digitais, o que nos permite crescer acima do mercado”.
Impacto nos mercados e análises
As ações da Unilever negociadas na Bolsa de Londres subiram 2,3% após o anúncio, enquanto os ADRs em Nova York avançaram 1,8%. Analistas do JPMorgan mantiveram recomendação de compra, destacando que “a recuperação consistente do volume de vendas e a disciplina de preços justificam a revisão de estimativas”. A Bernstein elevou o preço-alvo em 5%, citando o momentum positivo.
Para o Brasil, a Unilever reportou crescimento de dois dígitos nas vendas, impulsionado por sorvetes, desodorantes e produtos de limpeza. A subsidiária local também se beneficiou da recuperação econômica e do aumento da renda disponível. A empresa planeja lançar 20 novos produtos no país até o fim do ano, focados em sustentabilidade e conveniência.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo, a Unilever enfrenta riscos como a inflação de matérias-primas, a volatilidade cambial e as pressões competitivas em mercados maduros. A empresa também monitora os impactos de possíveis novas ondas de Covid-19 na Ásia. No entanto, a diretoria acredita que a diversificação geográfica e o portfólio de marcas fortes oferecem resiliência.
O CFO Pitkethly acrescentou: “Estamos confiantes em nossa capacidade de navegar no ambiente macroeconômico incerto. Nossa prioridade é continuar gerando crescimento rentável e retorno aos acionistas”. A Unilever planeja recomprar €2 bilhões em ações até o final do ano, como parte de seu programa de alocação de capital.



