UE aprova compra da Warner pela Paramount com concessões
UE aprova compra da Warner pela Paramount com concessões

A União Europeia aprovou, nesta quarta-feira, a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, após a apresentação de concessões que incluem o encerramento do acordo de distribuição de filmes da Universal Pictures no Espaço Econômico Europeu (EEE). A operação, avaliada em US$ 110 bilhões, superou a oferta da Netflix e cria um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.

Concessões para aprovação

Para obter o sinal verde da Comissão Europeia, a Paramount comprometeu-se a não firmar parcerias com a NBCUniversal no EEE por um período de dez anos. A medida visa evitar que a fusão restrinja a concorrência no mercado de distribuição de conteúdo audiovisual. Além disso, a empresa se comprometeu a manter abertas as plataformas de streaming concorrentes em seus serviços.

“A Comissão concluiu que a operação, conforme alterada pelos compromissos, não levantaria preocupações de concorrência no mercado do EEE”, afirmou o órgão regulador em comunicado. A decisão foi tomada após uma investigação aprofundada que durou seis meses.

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Detalhes da transação

A aquisição, anunciada em janeiro, envolve a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance por US$ 110 bilhões, em uma combinação de ações e dinheiro. A nova empresa terá um portfólio que inclui estúdios de cinema como Warner Bros., Paramount Pictures, e canais como HBO, CNN, Nickelodeon e Comedy Central. A fusão também reúne serviços de streaming como Max e Paramount+.

A Paramount Skydance, controlada pelo bilionário David Ellison, já era acionista minoritária da Paramount Global. Com a compra, a empresa assume o controle total da Warner Bros. Discovery, que estava em dificuldades financeiras.

Desafios nos Estados Unidos

Enquanto a aprovação europeia foi obtida, a operação enfrenta obstáculos nos Estados Unidos. O Departamento de Justiça (DOJ) entrou com uma ação judicial para bloquear a fusão, argumentando que ela reduziria a concorrência no mercado de streaming e elevaria os preços para os consumidores. “Esta fusão daria à Paramount Skydance poder de mercado excessivo, prejudicando a inovação e a escolha do consumidor”, disse o procurador-geral Merrick Garland em comunicado.

A audiência preliminar está marcada para setembro, e especialistas acreditam que o caso pode se arrastar por meses. Caso a justiça americana bloqueie a operação, a Paramount Skydance pode ser forçada a desinvestir ativos ou até mesmo abandonar a compra.

Impacto no mercado

A fusão cria um gigante com receita anual combinada de cerca de US$ 60 bilhões, rivalizando com Disney e Netflix. Analistas apontam que a aprovação europeia é um passo importante, mas a decisão nos EUA será crucial para o futuro do negócio. “A aprovação da UE é uma boa notícia, mas o verdadeiro teste será nos Estados Unidos”, avaliou o analista de mídia John Smith, da consultoria Media Partners.

No Brasil, a operação deve ser analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas ainda não há prazo para decisão.

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