O Toyota bZ4X, primeiro SUV elétrico da marca a desembarcar no Brasil, gerou reações mistas entre os consumidores, principalmente em relação ao seu nome. 'Nome esquisito', 'é o nome de um vírus?' e 'benze quatro vezes' foram alguns comentários de leitores do Jornal do Carro. O modelo chegou oficialmente ao país no dia 26 de outubro com preço de R$ 419.990 e motorização de até 343 cv, mas o que mais chamou a atenção foi a nomenclatura incomum.
O que significa bZ4X?
De acordo com a Toyota, cada caractere do nome tem um significado específico. 'bZ' vem de 'Beyond Zero' (além do zero), que é a linha de veículos elétricos da marca. 'Representa a visão de ir além das emissões zero e oferecer benefícios para as pessoas e para a sociedade por meio da mobilidade elétrica', explica Maurílio Pacheco, Diretor Comercial da Toyota do Brasil e Cadeia de Valor e Serviços para a América Latina e Caribe. O número '4' indica o posicionamento do veículo dentro da linha Beyond Zero – um SUV médio, classificado como C-High. Já o 'X' final remete à carroceria crossover.
A estrutura alfanumérica não é inédita na Toyota. Modelos como SW4 (Station Wagon 4x4) e RAV4 (Recreational Active Vehicle com tração integral) já utilizam lógica semelhante, embora com significados distintos. A diferença, segundo a montadora, é o tempo de mercado: 'Nomes como SW4 e RAV4 hoje soam familiares porque estão estabelecidos há décadas', diz Pacheco.
Estratégia global de nomenclatura
A Toyota optou por manter o nome bZ4X inalterado em todos os mercados, incluindo Brasil, Japão e Estados Unidos. 'Não foi cogitada uma alteração específica para o público ocidental ou brasileiro', afirma o diretor. A padronização evita problemas de significado em diferentes idiomas e culturas.
Essa prática não é exclusiva da Toyota. A Volvo, por exemplo, utiliza códigos alfanuméricos desde o ÖV4 de 1927 (Öppen Vagn, 'veículo aberto', quatro lugares). 'Seguindo esse padrão, temos um carro universal. A pronúncia pode mudar, mas o nome é o mesmo no mundo todo', explica Vinicius Garritano, gerente de produto da Volvo Car Brasil.
Marcas chinesas também adotam a estratégia: Leapmotor C10, Zeekr 001, GWM Haval H6. A GWM renomeou o Ora Good Cat como Ora 03 no Brasil e abandonou a temática de felinos no Ora 05, padronizando a nomenclatura globalmente.
Futuro dos nomes de carros
Para a Toyota, o uso de códigos alfanuméricos reflete a busca por uma linguagem técnica universal para veículos elétricos. 'No futuro, acreditamos que o mercado caminhará para um equilíbrio, onde conviverão siglas técnicas com nomes consagrados que carregam conexão emocional, como Corolla', conclui Maurílio Pacheco.



