Tinta sustentável: da matéria-prima ao descarte, entenda a cadeia produtiva
Tinta sustentável: da matéria-prima ao descarte

A sustentabilidade de uma tinta não começa na prateleira. Ela é resultado de decisões tomadas muito antes, na escolha da matéria-prima, e se estende até o destino final das embalagens e sobras. "Sustentabilidade não é uma etapa isolada da produção, é um compromisso que atravessa toda a cadeia, da escolha do fornecedor ao que acontece com a lata depois que a tinta já está na parede", afirma Eduardo Bathke, diretor-geral da Tintas Verginia.

Matéria-prima e fornecedores: o primeiro elo

O impacto ambiental de uma tinta é definido por um conjunto de escolhas ao longo de toda a cadeia produtiva. Nicholas Rosa, gerente de RH da Tintas Verginia, destaca que a origem das matérias-primas é um dos pontos mais críticos. Fornecedores precisam atender critérios de qualidade, conformidade legal e responsabilidade socioambiental antes de entrar na linha de produção. "Para nós, sustentabilidade está presente em toda a cadeia, desde a seleção dos insumos até o destino final dos materiais", explica.

Eficiência fabril: energia solar e consumo de água

Na fábrica, a eficiência do processo produtivo é medida por indicadores como consumo de água e energia. Segundo o Relatório de Sustentabilidade da Tintas Verginia, a participação de energia solar na matriz energética da fábrica saltou de 48% em 2024 para 76% em 2025. Isso refletiu diretamente nas emissões de escopo 2 (energia elétrica comprada), que caíram de 19,34 para 7,54 toneladas métricas de CO₂ equivalente no mesmo período. Já as emissões de escopo 1 subiram de 335,8 para 379,3 toneladas, associadas ao crescimento da operação. Quanto à água, o consumo específico se manteve em 0,6 litro de água por litro de tinta vendido, mesmo com o aumento da produção total de 6.622 mil litros para 7.036 mil litros. "As melhorias feitas na fábrica refletem diretamente na forma como a tinta é produzida", afirma Nicholas Rosa.

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Como identificar uma tinta sustentável na prateleira

Para o consumidor, os sinais de sustentabilidade estão na embalagem: selos como Empresa B, Carbon Free, Carbono Neutro e Eu Reciclo indicam auditorias e processos de verificação. A transparência sobre práticas ambientais em relatórios públicos e instruções de descarte também são indícios. "O consumidor pode identificar uma tinta mais responsável observando os selos, as informações presentes na embalagem e a transparência da empresa sobre suas práticas ambientais", resume Nicholas.

Logística reversa: o destino das embalagens

A sustentabilidade não termina na parede. O Programa Coleta Colorida, mantido pela Tintas Verginia desde 2019, usa os caminhões que abastecem as lojas para trazer de volta embalagens e sobras pós-consumo. Em 2024, foram coletadas 26,5 toneladas de materiais; em 2025, 19,98 toneladas. O volume total reciclado pela operação cresceu de 85,7 para 98,4 toneladas. Para sobras em casa, a recomendação é reaproveitar, doar e, por último, descartar em pontos de coleta.

Durabilidade também é sustentabilidade

Uma tinta que dura mais tempo na parede reduz a frequência de repintura, economizando material e gerando menos resíduo. Especialistas consideram o desempenho técnico, como resistência e lavabilidade, parte do cálculo de sustentabilidade. "A cor tem o poder de transformar um ambiente, mas a forma como ela é produzida também transforma, para melhor ou para pior, o ambiente lá fora", conclui Eduardo Bathke.

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