A Sumirê, rede de perfumarias fundada em 1984 no interior de São Paulo, enfrentou um desafio de sucessão que ia muito além do habitual: transformar dezenas de negócios independentes, administrados por diferentes famílias, em uma única estrutura empresarial, preservando ao mesmo tempo a cultura construída ao longo de mais de quatro décadas. Hoje, a companhia reúne 20 famílias e 48 acionistas em um modelo pouco comum no varejo brasileiro, com a profissionalização da gestão que permitiu consolidar operações, ganhar escala e projetar um faturamento de R$ 600 milhões em 2026.
O diagnóstico: cada loja era um mundo diferente
Segundo Renata Takae Minami, diretora executiva da empresa e representante da nova geração das famílias fundadoras, a transformação começou quando ela retornou ao negócio após trabalhar em uma multinacional. “Era realmente cada negócio de um jeito diferente com a mesma marca. Cada loja tinha praticamente um dono diferente. Eram gestões completamente diferentes. Mix de produtos diferentes, administração independente e até negociação mesmo. Os fornecedores também ficavam perdidos”, afirma a CEO. Para ela, o formato que havia sido fundamental para o crescimento inicial da empresa passou a limitar a evolução.
O processo de unificação: três anos de preparação
A mudança exigiu muito mais do que reorganizar processos. Foi necessário convencer famílias que haviam construído seus próprios negócios durante décadas a abrir mão da gestão individual em favor de uma estrutura corporativa. Um processo que durou cerca de três anos. A empresa contratou consultorias especializadas e iniciou uma longa preparação. “Organizamos essas famílias, montamos uma grande holding familiar empresarial e agora cada um é acionista dessa grande empresa”, explica Renata. “Eles enxergaram que era necessário ou então essa perpetuidade da empresa estaria em risco.”
De lojistas a acionistas: uma transformação cultural
A transformação também exigiu preparar os antigos lojistas para um novo papel. “A gente teve que fazer uma escolinha mesmo. O que é governança corporativa, o que é governança familiar… Eles tiveram que passar por essa transformação de lojista para um papel de acionista.” A profissionalização abriu um novo ciclo para a rede. Além da unificação societária, a Sumirê centralizou logística, marketing, compras e negociações com fornecedores.
Resultados e perspectivas
Quatro décadas depois, aquela pequena loja no interior paulista se transformou em uma das maiores redes de beleza do país, com mais de 75 lojas, milhares de produtos e presença entre as 500 maiores varejistas do Brasil. Segundo a executiva, a mudança permitiu que a empresa deixasse de pensar apenas no dia a dia da operação para construir uma estratégia de longo prazo. “Nosso lema sempre foi que sozinho se vai mais rápido, mas juntos a gente vai mais longe”, revela Renata. Hoje, a companhia aposta em expansão física, crescimento do e-commerce e fortalecimento das marcas próprias para sustentar seu próximo ciclo de crescimento.
Saiba mais
Para mais detalhes sobre a Sumirê, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo, disponível em vídeo no YouTube e em versão de podcast nas principais plataformas de streaming como Apple Podcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music. O podcast é uma produção do InfoMoney e traz histórias de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro, compartilhando desafios e estratégias na construção de negócios.



