Selic alta impulsiona consórcios como estratégia patrimonial
Selic alta impulsiona consórcios como estratégia patrimonial

Com a taxa Selic em 14,25% ao ano e o crédito bancário cada vez mais seletivo, empresários brasileiros estão recorrendo ao consórcio como ferramenta de planejamento patrimonial. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o setor registrou alta de 32,1% na venda de cotas no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Cenário de juros altos impulsiona busca por alternativas

A elevação da Selic, que atingiu o maior patamar desde 2016, encareceu o crédito tradicional e reduziu a oferta de financiamentos. Nesse contexto, o consórcio surge como uma opção sem juros, baseada na autofinanciamento e na formação de grupos de poupadores. Isadora Landi, fundadora da Landi Investimentos, explica que o instrumento tem sido adotado por empresários como forma de adquirir ativos sem comprometer o fluxo de caixa com parcelas elevadas.

“Os empresários estão usando o consórcio para adquirir imóveis, veículos e até máquinas e equipamentos. Como não há incidência de juros, o custo total é menor do que um financiamento tradicional, especialmente com a Selic elevada”, afirma Landi.

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Demanda por ativos reais cresce em meio à inflação

Além do custo do crédito, a inflação persistente tem levado investidores a buscar proteção patrimonial em ativos reais. O consórcio permite a aquisição de bens com correção anual pelo IPCA ou outro índice, garantindo o poder de compra futuro. Dados da ABAC mostram que os consórcios imobiliários lideram a alta, com crescimento de 38,7% nas cotas comercializadas nos primeiros três meses de 2025.

“O consórcio se torna uma ferramenta de planejamento de longo prazo. O empresário sabe que, ao final do grupo, terá o bem ou o dinheiro corrigido, sem surpresas com variações de juros”, complementa Landi.

Estratégia patrimonial ganha adeptos

A especialista ressalta que o consórcio não é indicado para quem precisa do bem imediatamente, mas sim para aqueles que podem planejar a aquisição com prazo definido. “É uma estratégia de disciplina financeira. O consorciado se compromete com parcelas que se encaixam no orçamento e, ao ser contemplado, recebe o crédito para comprar o ativo desejado”, diz.

O movimento reflete uma mudança de comportamento: diante da incerteza econômica, empresários estão priorizando a formação de patrimônio com baixo endividamento. A expectativa do setor é que a demanda por consórcios continue aquecida enquanto a Selic permanecer em patamares elevados.

“O consórcio se consolida como uma alternativa viável para quem quer fugir dos juros altos e manter o poder de compra”, conclui Isadora Landi.

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