Santander lista 14 empresas da B3 na fase de colheita; veja quais
Santander lista 14 empresas da B3 na fase de colheita

O Santander divulgou um relatório identificando 14 empresas listadas na B3 que se encontram em uma posição altamente vantajosa, denominada pelos analistas como “fase de colheita”. Esse momento é especialmente relevante em um cenário global de cautela, com tensões geopolíticas e aperto monetário. Essas companhias já superaram seus ciclos mais pesados de Capex (Investimento em Bens de Capital) e agora colhem os frutos em forma de expansão de margens e forte retorno operacional.

Critérios da análise e grupos definidos

“A análise é especialmente relevante no ambiente atual, onde taxas globais mais altas e um maior escrutínio sobre teses de crescimento intensivas em capital estão tornando os investidores mais seletivos em relação a capex, expansão de margem e geração de fluxo de caixa livre”, diz o relatório. Para organizar essa dinâmica, a carteira foi desenhada como um mapa estrutural do comportamento corporativo, auxiliando na identificação de companhias em estágios de eficiência.

“No geral, a carteira deve ser interpretada como um mapa do ciclo de capital, e não apenas como uma lista de empresas com capex em queda, ajudando a identificar onde as empresas da América Latina podem estar entrando em uma fase mais favorável de disciplina de capital e alavancagem operacional”, explicam os analistas.

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As empresas foram divididas em quatro grupos. O Grupo 1 reúne os casos mais claros de empresas que já concluíram os principais investimentos e começaram a capturar os benefícios operacionais: Embraer (EMBJ3), Smart Fit (SMFT3), Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3). O Grupo 2 inclui empresas cujo retorno dos investimentos já é perceptível, mas a trajetória futura das margens é menos linear: Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e Ânima (ANIM3). O Grupo 3 reúne empresas que reduziram a intensidade dos investimentos, mas o retorno ainda está em processo de maturação: Hypera (HYPE3), Rede D’Or (RDOR3) e Klabin (KLBN11). O Grupo 4 contempla companhias que continuam investindo, mas já exibem sinais concretos de retorno operacional e potencial para futura expansão da geração de caixa: Multiplan (MULT3), 3tentos (TTEN3) e Rumo (RAIL3).

Os “Colhedores” do Grupo 1

O primeiro grupo traz os casos mais emblemáticos. A TIM (TIMS3) está em transição para maior eficiência de capital, à medida que o setor de telecomunicações supera o ciclo de investimentos de 4G para 5G. A empresa operava com alta intensidade de capital enquanto fortalecia sua rede e se reposicionava para o pós-pago. Com a parte pesada superada, o crescimento de receita e a alavancagem operacional devem ser impulsionados por um cenário de consolidação e concorrência racional.

A Smart Fit (SMFT3) representa um exemplo claro de mudança de patamar. O ciclo de investimentos pesados começou antes da pandemia, focado em expansão física agressiva na América Latina. A pandemia fechou temporariamente as unidades, distorcendo a relação entre capital investido e faturamento. O ciclo de Capex alto se estendeu até meados de 2023. A consolidação da colheita veio forte no biênio 2024-2025, com a combinação de aberturas, amadurecimento das filiais e ganho de escala de iniciativas como o TotalPass.

A Embraer (EMBJ3) reflete a passagem do fim de um ciclo de engenharia de longo prazo para a eficiência de capital. A empresa passou por quase uma década de aportes bilionários para desenvolver novas famílias de aeronaves, como os E-Jets E2 e o cargueiro C-390. Agora, o ganho de escala na entrega dessas aeronaves com melhores preços infla o faturamento sem demandar novas saídas de caixa para P&D.

A Telefônica (VIVT3) colhe os frutos de uma transição de tecnologia menos exigente. A companhia aproveitou a sinergia de sua rede de fibra ótica para ancorar o 5G com alta disciplina de investimentos. Sem a previsão de um novo salto tecnológico de grande porte antes da próxima década, a operadora reduziu a intensidade de investimentos e passou a focar em dividendos e margens mais robustas.

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A Lojas Renner (LREN3) concluiu grandes investimentos estruturais em tecnologia e logística, como o centro de distribuição de Cabreúva (SP), cujo cronograma atrasou e encareceu pela pandemia. Com a estrutura operacionalizada, a varejista reduziu drasticamente a necessidade de investimentos em expansão física, focando na rentabilidade das lojas existentes e eficiência de estoques.

“Uma queda na intensidade do capex só é atraente se vier acompanhada de evidências de que o negócio continua crescendo e extraindo valor dos investimentos anteriores. Da mesma forma, um capex elevado pode ser atraente quando a empresa já apresenta crescimento de receita ou ganhos de margem, e quando a normalização do capex é visível adiante”, destaca o estudo.

Grupo “quase lá” – Educação

O segundo grupo reúne Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e Ânima (ANIM3). O setor de educação passou por um ciclo profundo de investimentos físicos e digitalização. “O setor de educação já passou por um ciclo significativo de investimentos nos últimos anos, impulsionado inicialmente por expansão e, posteriormente, pela digitalização. Como resultado, a intensidade do capex diminuiu estruturalmente nos últimos anos, com os aportes agora mais focados em tecnologia do que em crescimento de capacidade física. Ao mesmo tempo, as empresas mudaram o foco para a geração de caixa e disciplina de capital, levando a uma alocação de recursos mais seletiva”, diz o relatório.

Os analistas afirmam que essa transição está se refletindo gradualmente nas margens, impulsionada pela racionalização de custos e melhor utilização das estruturas consolidadas. Porém, a trajetória da rentabilidade futura é menos linear, pois as empresas ainda lidam com processos de normalização interna e bases de comparação desafiadoras.

Colheita com retornos em maturação ou distorcidos

O terceiro grupo inclui Hypera (HYPE3), Rede D’Or (RDOR3) e Klabin (KLBN11). A Hypera passou por um longo cronograma de expansão fabril, com aportes pesados nos últimos anos. O ano de 2026 deve marcar o estágio final desse ciclo, com declínio expressivo do Capex previsto para 2027. Conforme as novas estruturas amadurecerem, a empresa tende a capturar eficiências operacionais e diluição de custos fixos.

A Rede D’Or teve sua dinâmica de investimentos impulsionada por expansão orgânica e fusões e aquisições, o que distorce os dados financeiros de curto prazo. O pico da intensidade de capital ficou para trás, e a rede faz a transição para extração de valor, sustentada pelo amadurecimento dos hospitais novos e estabilização das taxas de ocupação.

A Klabin reduziu suas estimativas de investimento em aproximadamente 15% em termos anuais em 2025, refletindo uma postura de desalavancagem financeira após projetos industriais de grande escala. O mercado ainda aguarda provas mais conclusivas sobre o retorno estrutural, mas a empresa já opera com menor necessidade de capital incremental.

Para esse grupo, o banco pontua que as pressões de curto prazo não devem mascarar a virada de chave operacional. O mercado frequentemente demora a precificar a desalavancagem, abrindo oportunidades de valorização para investidores que se anteciparem ao fim dos ciclos de obras e integrações.

Quem planta para colher depois

O quarto grupo é formado por Multiplan (MULT3), 3tentos (TTEN3) e Rumo (RAIL3). Essas companhias ainda mantêm investimentos elevados, mas já mostram sinais de que esses desembolsos podem gerar crescimento, expansão de margens e maior geração de caixa. A Multiplan está saindo do pico de investimentos após revitalização e expansão de shoppings como MorumbiShopping, ParkShoppingBarigüi e DiamondMall. Os benefícios já aparecem por meio de maiores receitas de aluguel e vendas dos lojistas, enquanto o nível de investimentos tende a se normalizar.

A 3tentos aumentou significativamente os investimentos para sustentar sua expansão no agronegócio. A expectativa é que as receitas continuem avançando com redução gradual da intensidade de capital, abrindo espaço para ganhos de alavancagem operacional e geração de caixa.

A Rumo é um dos exemplos mais claros de companhia que ainda investe para colher adiante. A operadora ferroviária realiza pesados aportes na expansão da malha logística, como a extensão da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (LRV), mantendo o Capex elevado. Para o Santander, o caminho de retorno é visível: conforme os projetos forem concluídos, a empresa ganhará capacidade de transporte, aumentará volumes e expandirá o Ebitda, enquanto a relação entre investimentos e receitas tende a diminuir.