O Santander Brasil (SANB11) divulgará seus resultados completos antes da abertura do mercado na quarta-feira, 29 de julho. O mercado aguarda os números após a matriz espanhola reportar lucro de 551 milhões de euros no segundo trimestre, cerca de R$ 3,3 bilhões pelo câmbio médio. No entanto, por critérios contábeis, a apresentação será diferente, e outras métricas como provisões e ROE são esperadas.
Projeções das principais casas de análise
A XP projeta lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, queda de 8% na comparação anual e de 11% ante o trimestre anterior. A pressão vem principalmente da margem financeira com clientes (NII) e do aumento das provisões, influenciado pelas novas regras de write-off e pelo desempenho mais fraco da carteira de atacado. O primeiro trimestre de 2026 havia registrado lucro de R$ 3,8 bilhões, o que torna a queda esperada ainda mais significativa.
Itaú BBA e Bradesco BBI: expectativas divergentes
O Itaú BBA estima lucro líquido de R$ 3,6 bilhões, recuo de 1% na comparação anual e de 5% ante o primeiro trimestre. O banco projeta crescimento da carteira de crédito de cerca de 4% e avanço de apenas 3% da margem financeira. O BBA cita o aumento do custo de risco e desafios específicos em segmentos da carteira. Segundo o relatório do Itaú BBA, "vemos risco de que uma divulgação mais fraca do Santander contamine a percepção dos investidores sobre os demais bancos privados".
Já o Bradesco BBI é mais conservador, com projeção de lucro líquido de R$ 3,3 bilhões, 18% abaixo do consenso da Bloomberg. A estratégia cautelosa reflete pressões na margem com clientes, volatilidade da curva de juros impactando tesouraria e aumento de 12% nas provisões ante o trimestre anterior. O ROE estimado é de 13,5%, abaixo da média histórica de 15% a 16% do banco. O BBI também espera que as receitas com tarifas sofram com a atividade mais fraca do mercado de capitais, projetando contração de 19% no lucro antes dos impostos.
Impacto no mercado e perspectivas
O consenso entre as casas de análise já apontava para um trimestre mais desafiador, como observado nos dados divulgados pela matriz espanhola. A expectativa é que o Santander apresente o trimestre mais fraco entre os grandes bancos privados, com riscos de contaminação da percepção dos investidores sobre o setor. As novas regras de write-off, implementadas no início de 2026, exigem que os bancos reconheçam perdas de forma mais acelerada, pressionando as provisões. O Santander, com carteira de atacado mais exposta, deve sentir esse impacto de forma mais intensa.
Além disso, a temporada de balanços do 2T26 ganha destaque na Bolsa brasileira, com investidores de olho em ações e setores específicos. Os números do Santander serão cruciais para direcionar as expectativas para os demais bancos privados, como Bradesco e Itaú Unibanco, que também divulgarão seus resultados nas próximas semanas.



