Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostra que apenas 29% da frota nacional possui seguro Automóvel e somente 17% das residências contam com seguro Residencial. A pesquisa, elaborada pela Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg, traça o perfil do consumidor brasileiro de seguros e evidencia um expressivo “gap de proteção” patrimonial.
Classe média concentra seguro de automóvel
No seguro Automóvel, a classe média responde pela maior parcela dos segurados. Cerca de 41% dos clientes pertencem à classe C, com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120. Outros 24% fazem parte da classe B e 23% da classe D, com renda entre R$ 2.824 e R$ 5.648. A maior parte dos segurados está em idade economicamente ativa: 29% têm entre 36 e 45 anos, enquanto 26% possuem entre 46 e 55 anos. O levantamento também mostra predominância masculina, com homens representando 51% da carteira de clientes, ante 42% de mulheres.
Regionalmente, o Sudeste concentra 53% dos consumidores de seguro Automóvel, seguido pelo Sul (16%) e Centro-Oeste (15%). Segundo a CNseg, o cenário acompanha a distribuição da frota nacional, mas também reflete diferenças de renda e acesso ao crédito entre as regiões. O estudo mostra ainda que 46% dos veículos segurados possuem valor de até R$ 70 mil. Outros 27% estão na faixa entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.
Apesar da relevância do produto, a cobertura ainda alcança uma parcela reduzida da frota brasileira. Dados cruzados pela CNseg com informações da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que apenas 29% dos automóveis do país possuem seguro. Em dezembro de 2024, o Brasil contabilizava cerca de 63,3 milhões de automóveis, dos quais aproximadamente 18 milhões estavam segurados.
Seguro residencial ainda é minoria nos lares
No seguro Residencial, o perfil dos consumidores apresenta diferenças. Os clientes são, em média, mais velhos: 24% têm entre 56 e 65 anos e outros 17% possuem mais de 65 anos. A distribuição de renda também é mais equilibrada. Cerca de 31% pertencem à classe C, enquanto 27% estão na classe D e 21% na classe B.
Assim como ocorre no seguro Automóvel, o Sudeste lidera as contratações, concentrando 56% dos clientes. Na sequência aparecem Sul (15%), Nordeste (13%), Centro-Oeste (11%) e Norte (5%). Mesmo diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos, a cobertura residencial ainda é limitada. Segundo estimativas da entidade, elaboradas com base no Censo do IBGE e em dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), apenas 17% das residências brasileiras possuem seguro.
Para Alexandre Leal, diretor Técnico, de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, esse cenário evidencia tanto a vulnerabilidade patrimonial das famílias quanto o potencial de crescimento do setor. Ele destaca que mesmo regiões frequentemente afetadas por eventos climáticos extremos, como a Região Sul, ainda apresentam baixa cobertura securitária residencial.
“O setor tem avançado na discussão de produtos voltados principalmente para a classe C, que hoje já aparece como protagonista em segmentos importantes, como Automóvel e Residencial. Há um esforço crescente para desenvolver soluções mais acessíveis, ampliar canais digitais, fortalecer a educação financeira e aumentar a presença do seguro em momentos importantes da vida do consumidor”, aponta o executivo.
Capitalização avança na menor renda
Entre os produtos analisados, os títulos de Capitalização concentram a maior participação de consumidores de baixa renda. Segundo o levantamento, 38% dos clientes pertencem à classe E e outros 24% à classe D. A distribuição regional também é mais equilibrada do que nos demais segmentos. O Sudeste reúne 30% dos consumidores, seguido pelo Sul (25%), Nordeste (19%), Centro-Oeste (15%) e Norte (11%).
“Os títulos de Capitalização vêm funcionando como uma porta de entrada para produtos financeiros e de proteção entre famílias de menor renda, especialmente devido ao baixo valor médio de contribuição mensal”, ressalta Leal. Quase metade dos consumidores (48%) faz contribuições mensais de até R$ 300, enquanto 55% dos títulos oferecem sorteios médios de até R$ 70 mil.
Espaço para ampliar proteção das famílias
Nos últimos cinco anos, a arrecadação do setor cresceu mais de 52%, passando de R$ 501,3 bilhões, em 2020, para R$ 764,5 bilhões em 2025, destaca a CNseg. No mesmo período, os pagamentos avançaram 70%, saltando de R$ 322,5 bilhões para R$ 548,4 bilhões devolvidos à sociedade em forma de indenizações, benefícios, resgates e sorteios.
Para 2026, a entidade projeta arrecadação de R$ 808,5 bilhões, alta estimada em 5,8%, mesmo em um cenário de juros elevados, inflação próxima de 5% e desaceleração econômica. Entre os segmentos com maior potencial de crescimento estão os seguros habitacionais, com expectativa de expansão de 12,3%, e o seguro Automóvel, que deve avançar 7,8%, impulsionado pela recuperação das vendas de veículos, incluindo híbridos e elétricos.
Na avaliação da CNseg, o aumento dos eventos climáticos extremos, aliado às mudanças demográficas e ao envelhecimento da população brasileira, tende a ampliar gradualmente a percepção sobre a importância da proteção financeira e patrimonial.



